domingo, 20 de dezembro de 2009

Esquizofrenia


Esquizofrenia

20/12/2009

Surtos esquizofrênicos impediam passos futuros. Alucinava em copos cheios de vazio. Assim era sua alma. Sussurros pelos corredores lhe torturavam e já não havia mais anima que suportasse. Seu rosto se acostumara com labirintos de sal desenhados em pranto. Bagunçava os cabelos em busca de respostas e seus caracóis nada lhe diziam: rastejavam em marasmo. O desespero confrontava sua razão e não era mais a mesma. Caia no desequilíbrio e nem as unhas lhe sobravam. Permanecia na corda bamba da existência e nenhum (a) braço para lhe amortecer a queda. Queda sem fim, apenas abismo. Assim fora sua vida, vazio sem fim, precipício da loucura. Fim, apenas o fim lhe soara bem, quiçá canção de ninar... Durma bem meu bem... e não se esqueça: close your eyes.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sim! Sou negra!

Sim! Sou negra!



“Por favor, você poderia encher a garrafa de café?”. Foi exatamente isso que ouvi em um evento que fui cobrir destinado a engenheiros e advogados. Apenas respondi à elegante senhora: “Desculpe, mas eu também gostaria de tomar um café. Sabe onde podemos encher?”. Fui cobrir a atividade para fazer uma matéria sobre o pré-sal e a cor do petróleo se fez presente. Sim, sou negra!

Há algumas semanas outro fato interessante aconteceu. Eu estava entrando na minha casa quando a vizinha me abordou e perguntou se eu era a tratadora dos gatos que criamos em casa... Eu disse que não e que morava ali e ela insistiu: “Você mora onde? Aqui no bairro?”. Eu disse não, moro neste apartamento. E ela, um pouco sem graça, continuou a conversa sem eira nem beira e, ao final, ainda me cumprimentou com um beijo no rosto, gesto que não foi feito no início da conversa. Ou seja, tentou contornar a situação com um beijo de Judas.

Agora, nesta segunda-feira passada, estava chegando do aeroporto, vindo de Manaus, com muita bagagem e o porteiro prestativo interfonou no meu apartamento e disse: “Olha só, sua secretária está subindo com um monte de malas, alguém pode ajudá-la?”. Meu amigo questionou se era nossa secretária doméstica e o porteiro disse: “Não, é a Camila”. Então, novamente, eis a confusão. Não me importa ser confundida com secretárias, domésticas ou qualquer outra profissão, o que realmente me importa é a violência do preconceito racial. E a dimensão desta dor poucos conhecem. Ou talvez muitos, já que a maioria de nós faz parte da imensa parcela de excluídos.

E, mesmo diante de situações cotidianas como as descritas acima, nós, excluídas e excluídos, ainda somos acusados de vitimização. Inadmissível, pois só corrobora para a hipocrisia e praticamente ignora o preconceito. Não adianta me dizer que no Brasil não existe preconceito. Existe sim e convivemos com essa dor cotidianamente. Outros ainda me dizem: “Você não é negra. É morena de cabelo cacheado”. Então, me respondam se eu não sou negra, porque sofro preconceito racial incessantemente?

Sim! Sou negra!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Esquina putanesca

Esquina putanesca

24/11/2009


Desenhava rabiscos em azulejos de paredes mortas. Falava com as paredes e, ainda assim, era só. Alucinava com a dependência venenosa entre corpos parafraseados de matéria. Apenas matéria. Nada mais do que matéria. E a alma esquecida perdia-se. Perdia-se em caminhos metamorfoseados. Soluçava suas lágrimas mais desesperadas quando descobriu: o amor não bastava para a felicidade. E fez-se a matéria. Era um maldito lançado ao azar das mais belas flores vermelhas oferecidas. Caminhava, lado a lado, com as borboletas que lhe sugavam o néctar. E, assim, como relógios de Dali, derretou a cada esquina putanesca, questionando a imperfeição de tempo e memória.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

SÚBITA

Súbita

23/10/2009

Súbita. Esse era seu nome. Vagava pelo Novo Mundo, entre sonhos perdidos e malas vazias. Marejava, em sua contradição oceânica, águas de um reflexo distorcido. Afogava-se como Narciso em busca do outro e sofria como o grande poeta. Não acreditava no amor, somente na poesia de Clarice e nos versos de Bethânia. Não mostrava o corpo e os botões eram seus melhores amigos. Seu sorriso de carpideira aprontava histerias em procissões e nada lhe fazia ser. E tudo aquilo que lhe parecia verdade, claro e certo, se esvaiu: pelo ralo mais fétido na casa do ferreiro com espeto de pau. E o amor lhe contaminou, mais uma vez. Quando lhe parecia finito no peito, ele gritou e, finalmente, estava apaixonada. Seus lençóis nunca mais foram os mesmos. E o verbo se fez feminino, em sua forma mais transitiva. Súbita. Esse era o seu nome e aqui jaz aquilo que, um dia, foi crença: subitamente.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sim! É possível amar novamente...

tão feliz...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Olimpíadas para quem? Confesso: nunca torci pela vitória do Rio de Janeiro!

09/10/2009


E as Olimpíadas abocanharam o Rio de Janeiro. Ou vice-versa. Foi confirmada a vitória da cidade maravilhosa na última sexta-feira, dia 2. Famigerada data que, inclusive, representou um feriado facultativo... Podem acreditar! Além disso, muitos shows e quase um circo. As ruas cariocas estavam empolvorosas, as praias lotadas de expectativa e por que não patriotismo. Pois é, as pessoas torciam fervorosamente apelando a um pseudo patriotismo e nacionalismo.

Confesso: nunca torci pela vitória do Rio de Janeiro! Não tenho dúvida alguma de que realmente sejamos uma cidade maravilhosa, mesmo com tantos problemas. No entanto, ocultá-los, é um erro inadmissível. Em primeiro lugar, o vídeo de defesa da candidatura do Rio de Janeiro é uma farsa! Sim, uma farsa e quase tragédia. Quem assistiu pôde minimamente perceber todo o belíssimo carnaval reproduzido, entre belas praias, paisagens, samba, alegria, sincretismo religioso. Fez-me sentir orgulhosa de ser brasileira, assim como deve ter feito a muitos. Mas, a pergunta que não quer calar: para onde foram as favelas? E os pobres? E a violência? E os policiais com seus fuzis? Em todos os gráficos e mapas, nenhuma favela é mostrada. De repente, sumiram...

Atualmente, o Rio de Janeiro vive uma ostensiva política de violência do Estado. Bastam-me dois exemplos: a operação “Choque de Ordem” e a contenção das favelas por meio de muros. Para quem não sabe “Choque de Ordem” é uma operação cujo principal alvo são os trabalhadores informais, desempregados e sem teto. Digamos que representa uma espécie de higienização da cidade, assim como Pereira Passos fez um dia. E para onde vão esses trabalhadores, sem teto e informais? Ninguém sabe. Ou pior, para outra esquina, desde que seja bem longe da Zona Sul. Esta é a lógica da política implementada pelo governo: a segregação espacial e social.

Seguindo esta lógica, tijolo a tijolo é construído o muro de contenção nas favelas. Sob a desculpa de preservação ambiental, os pobres são cada vez mais isolados e distanciados dos grandes centros. Tapa os olhos, mete cimento e arromba casa. É assim que funciona e tudo isso só começou para fortalecer a candidatura do Rio de Janeiro às Olimpíadas. Imaginem o que vem por aí... Ocupação das favelas, certamente. Mas a que custo? Eis o custo: morte de trabalhadoras e trabalhadores, crianças, violência ininterrupta, milicianos e a continuidade da corrupção.

Enquanto as pessoas sonham com a chegada de 2016, eu tenho pesadelos: se antes era “Choque de Ordem”, agora será “Ordem de Execução”; ou antes “Muros de Contenção das Favelas”, agora “Balas para extermínio das populações periféricas”. Nem aprofundarei muito na questão dos transportes, mas vale a pena citar que apenas setores da elite terão o transporte melhorado, enquanto isso trabalhador continuará sendo chicoteado como animal em jaula nos trens da Supervia. Isso tudo sem contar o lado financeiro: imaginem quantas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) teremos? Quanto caixa 2?

Será que nossa cidade maravilhosa se afundará em dívidas, promessas não cumpridas e repressão aos pobres? Agora que a Olimpíada chegou, a denúncia não pode parar!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EXPERIÊNCIA

Experiência

23/09/2009


quando menos se espera
arrebata
e a cama completa
o círculo

o círculo
ainda longínquo
secreto
e quase mudo de si

feminino exacerbado
pernas trançam em valsa
gemidos em sustenido
maculam noites de lua cheia

abandona a perversão
e agora sublima
o círculo

a dor não lhe acomete
e a cama completa
o círculo

e o canto do amanhecer tortura
tortura
a separação
separação de dois corpos em círculo

em seus sonhos, Jung abençoa
a união do ser
gozo em demasia

assim seja!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

MEDO, rogai por nós!


MEDO, rogai por nós!

14/09/2009


O medo silencia bocetas tagarelas. O medo arregala o olho do seu cu. O medo faz criancinhas chamarem a puta que as pariu de senhora. O medo faz padres punhetarem sob batinas. O medo nos faz ajoelhar entre a cruz e o falo rompante. O medo faz putas se comportarem como virgens. O medo faz virgens se masturbarem com Jesus na cruz. O medo me faz dizer isso tudo e ainda me conter. O medo me faz tentar romper - com a incerteza de um futuro êxito. O medo me faz sair da 3ª pessoa para blasfemar em 1ª. O medo espalma meu corpo e beija minha face como Judas. O medo! O medo! O medo se revela no espelho e meus olhos se confundem no silêncio de uma alma precipitada.

Medo e espelho: prisão emoldurada do ser.






quinta-feira, 10 de setembro de 2009

INSÔNIA - again


INSÔNIA - again
10/09/2009


Seu lirismo era putanesco e não manifestado em seu corpo. Pensava que seu maior inimigo era a dor, mas enganava-se. Lograva-se na pseudo persuasão de caminhos lascivos. Seu corpo escorria a seiva da mais pura dor. Dividia-se na existência e perdia-se em EUs. Era mulher e quase odiava o mundo por isso. Sonhava com o ascensorista do prédio. Ah! Como lhe atormentava aquela imagem: dedos acariciando botões... Não era um toque manual automático ou desatento; era um toque libidinoso, quase convidativo. Continuava perdida entre desejo e dor. Oceânica e sedenta: assim era sua alma derretida em lágrimas – sal que seca corpos e incita masturbações indesejáveis. Cansava de proibições e pervertia-se em descobertas que pingavam, uma a uma, por suas coxas. Ainda molhava lençóis: solitária. E tinha a fome de Lilith. Tinha a fome de Zeus. Queria engolir tudo para preencher o vazio. E o vácuo, finalmente, revelou seu maior inimigo: o seu próprio eu, minúsculo em existência.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

A PUTA DE CADA DIA


A PUTA DE CADA DIA


08/09/2009


Seria a puta daquele que a fizesse uma. Não era mulher cotidiana, esporrava entre pernas dores de uma barbárie. Não sabia o significado da palavra “felicidade” e abortava filhos não desejados, quase corrompidos. Ainda sangrava e como sangrava. Confundia-se entre o existencialismo e o materialismo. Não era mulher parideira. Era um ser em eterno combate com sua própria natureza. Ventava cabelos entre florestas e relutava em aceitar existência. Não era mulher refletida e manifesta em costelas de um único indivíduo. Era a própria coluna: mulher. A diferença rasgava sua boceta de Pandora, ainda molhada pelos males do mundo. Negava! Negava! Abnegava! E, na Bíblia, encontrou sua resposta: seria a puta que jamais iria parir.
Salve Nossa Senhora!




quarta-feira, 2 de setembro de 2009

FERIDAS DE UMA SACI




FERIDAS DE UMA SACI


02/09/2009


A contradição do ser
arrancada como lâmina
não sangra: SUICÍDIO

na tormenta, nada se ouve
ou se range
apenas cala!

resvala, resvala
mascara
a senzala

um mal-estar me acomete
e não sou mais a mesma

cansei
juro que cansei!

sórdidos corpos
bailam para um deus morto

e ninguém vê
apenas crê

rastejo invisível
em tapetes vermelhos
e alguém ouve meu corpo?

meu corpo está aí
dançando pelo chão


esquálido
e quase esquartejado de si

Amém e Além



sábado, 29 de agosto de 2009

21 versos

29/08/2009

sete pecados
sete dias
sete vidas
sete oitavos
sete de espadas
sete cores
sete artes

e na luxúria de deus
nem o mundo se fez
apenas inferno

a poesia amarra e agarra: AMARGA
impõe suas garras
e apaga um arco-íris jamais visto

e a arte?
disseca masturbações ao léu
e quase esconde autoria

pensava na existência
e a libertação lhe era necessária
temia e ardia

“o sarcasmo acorrenta”, gritavam os medíocres.
e ainda sonhava
e como sonhava... Ah! Dali!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

POR QUE DÓI?


POR QUE DÓI?

28/08/2009


braços longos e mãos delicadas
um corpo anêmico
prestes a beirar o precipício

dores e flores
pranteavam caminhos tortuosos

água salgada que marca a face
e coagula a tristeza
de um coração de Babel

cansei de histórias para dormir
cansei das voltas do mundo
cansei dos pássaros que beijam flores
e quase me canso desse sopro...

enquanto isso
seduzo corpos ardentes em dor
corpos viris desmontados em fragilidade
corpos que quase não se encaixam ao meu
corpos em crise

entre esse vazio da carne
nada sobrou
nem mesmo o eu



quarta-feira, 26 de agosto de 2009

EI DEFUNTO

Remexia-se na cama como defunto na cova.

Ei, defunto

o tempo seduz ponteiros de madeira fria
meras redundâncias contemporâneas...

Ei, defunto

Neruda se confunde com tempos verbais
lombadas de livros deixam ásperas as mãos de Borges.

Ei, defunto

vem, com dissonante voz, vem
alimenta ruídos de meu estômago

ei, defunto

quase me esqueci das entrelinhas esgarçadas
cobre meu corpo com teu manto noturno

e, por fim, descobre a aurora de meu corpo
no fundo de um quarto de Van Gogh

Ei, defunto
Ei, defunto!
Ei, defunto?

A sete palmos lhe beijo a face
quem sabe de amanhã


domingo, 16 de agosto de 2009

LEMBRANÇAS ...





remexendo em poemas antigos...


ABSTINÊNCIA

18/05/2007

abstive sempre
cumpri minha penitência
tive nem um pouco
de clemência

escolhi meu sacrifício
tal qual o cordeiro.
servida em um altar
minha alma na bandeja

deus tentou me convencer
mas apelei para a vogal
A
Adeus

e meu estômago emaranhado
retorcido em seu próprio coito
vazio que tenta renunciar a vogal
Anunciou o jejum

dos sete pecados capitais
que moravam em meu estômago
apenas um se ajoelhava
e no genuflexório pedia remissão.

Em vão

eu, em minha casta idade
queria a luxúria
mas entre minhas coxas
castidade.




sexta-feira, 14 de agosto de 2009

invadindo a poesia

14/08/2009


E a voracidade invadia sua poesia
Em uma perversa maresia
Ouvia músicas francesas em uma varanda qualquer
Enquanto sonhava com seu Van Gogh predileto

Esquecia-se da estética
E rememorava:
Não há forma sem conteúdo
Ou vice-versa
Ainda continha-se nessa dubiedade

Corvos, girassóis e boemia
Alimentavam seu lirismo putanesco
Ainda preferia o francês

E seu vinho denotava portugueses
Perdidos entre colônia e exploração
Apenas coletânea...
Apenas coletânea...
Mera coletânea...


poema em parceria vagabunda com gabriel


14/08/2009

te encontro em outro carnaval
sussurrava...
e você não é a mesma
muito menos você e seus movimentos quase inválidos
numa noite suja de motel
mas naquela época você gostava
põe poesia nas linhas de seu corpo e arranca minha roupa
e se contorce
nesse contorcionismo convalescido

exprimia poesia em pernas nada cruzadas
o maior de seus orgasmos
e os dele (?) eram fingidos

“DEIXA MEU LIRISMO À VONTADE”
Gritava entre quatro paredes
Nada permissivas

e o eu lírico?
Eu?
Você?
A música já predizia:
“A paz é feita no motel, de alma lavada e passada”

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

VIVA FIDEL




Fidel completa 83 anos hoje, dia 13 de agosto!


Viva o comandante! Viva Cuba! Viva o socialismo!

Homenagem a Fidel no site: http://cubaviva.com.br/v1/

LIBERDADE AOS 5 HERÓIS JÁ!!!

HASTA SIEMPRE COMANDANTE!!!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SOLIDARIEDADE ÀS MULHERES PERUANAS


por Michelle Amaral da Silva última modificação 06/08/2009 11:42- JORNAL BRASIL DE FATO

Líder indígena Lourdes Huanca relata as dificuldades vividas pelas mulheres da Amazônia Peruana e a perseguição a líderanças de movimentos sociais no país

06/08/2009


Fabíola Munhoz
Amazonia.org.br



A presidente da Federação Nacional de Mulheres Camponesas, Artesãs Indígenas, Nativas e Assalariadas do Peru (Femucarina), Lourdes Huanca, concedeu uma entrevista exclusiva ao site Amazonia.org.br. A conversa aconteceu durante passagem da líder indígena pelo Brasil, no mês passado, quando participou de um Encontro Pan-Amazônico, que reuniu cerca de 200 pessoas de nove países amazônicos- Brasil, Venezuela, Bolívia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Suriname, Peru e Colômbia-, em Belém (PA).

Lourdes contou as dificuldades que as mulheres que trabalham no campo e indígenas da Amazônia Peruana enfrentam hoje e disse que está sendo perseguida pelo governo do presidente do Peru, Alan García, correndo o risco de ser presa a qualquer momento por discordar das políticas neoliberais do governante. Confira.

O que trouxe o movimento das mulheres indígenas peruanas ao Brasil?

Lourdes Huanca - Para nós, é muito importante estar em Belém e no Fórum Social Panamazonico. Pudemos ver o que acontece aqui e mostramos o que está se passando em nosso país. Temos que esperar a solidariedade única de todos os povos e de todos os países. Neste momento, não pode haver barreiras. No Peru, a situação está muito crítica porque temos um presidente que é aliado da política neoliberal. Nós lideranças homens e mulheres - estamos sendo perseguidos politicamente. A perseguição dos
dirigentes é tão forte que não sabemos se, ao regressar ao Peru, vamos chegar tranquilas ou seremos detidas.

Por quais direitos as mulheres peruanas da Amazônia lutam hoje?

Lourdes - As mulheres que trabalham no campo e indígenas do Peru estão sendo violentadas. Não há igualdade de tratamento a elas quanto ao salário. A mulher trabalha o mesmo que o homem nas transnacionais do Peru, o homem recebe muito mais do que as mulheres. É uma diferença abismal. Nós lutamos, então, por uma igualdade de oportunidades, de direitos no trabalho. Hoje, nas empresas transnacionais de nosso país, existem 80% de mulheres trabalhando. Elas são exploradas e não tem direito à saúde, ou de ter meia hora, ou uma hora, para almoçar. Por isso, estamos lutando. E corremos perigo porque o governo atual cria leis e decretos a favor dessas grandes empresas transnacionais para que, por exemplo, elas avancem sobre nossas terras para produzir biocombustíveis. Por isso, houve uma grande matança de índios no nosso país em 5 de junho. Seguimos lutando, apesar de correr risco de morte e sermos perseguidas.

Que outras formas de violência as mulheres vêm sofrendo?

Lourdes - Há uma região de nosso país onde estão instalados os paramilitares com a suposta finalidade de erradicar o tráfico de drogas. Esses militares estão abusando sexualmente das nossas jovens. E onde houver militares acontecerá isso porque nós, mulheres indígenas e trabalhadoras rurais, não temos direito a uma vida digna, segundo o governo.

Para García, os trabalhadores rurais e indígenas são da terceira classe. Por isso, os soldados fazem o que bem entendem. Em 1985, no primeiro governo do atual presidente, houve um massacre, uma matança de camponeses. Quando saímos à mobilização, os paramilitares saem a disparar e a matar. Nosso temor é que voltem a se apropriar de nossos direitos e a violentar nossa dignidade, abusando de nossas meninas. Há um problema muito grande em nosso país, e penso que em toda a América Latina onde tenha penetrado a política neoliberal.

Por que as mulheres indígenas e camponesas são contra os últimos decretos criados pelo governo de Garcia?

Lourdes - As leis que estão sendo feitas em nosso país são criadas contra os campesinos e indígenas e violentam o direito desses povos a ter uma vida digna. De acordo com a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), deveria ser assegurada a proteção de toda terra ou território, bem como da cultura, de indígenas e campesinos. Essa convenção, o presidente atual violou porque, como se fosse o grande senhor, ele entrega as nossas terras aos grandes.

No Peru, vocês e outros movimentos sociais são criminalizados?

Lourdes - Como dirigentes, corremos riscos. Temos várias companheiras perseguidas, vivendo na clandestinidade, porque há ordem para que sejam capturadas. Temos um líder campesino que está hoje em risco na floresta amazônica do Peru. Ele recebeu balas no confronte de 5 de junho e sua situação de saúde é delicada. Ele está cercado por polícias e mal tratado psicologicamente agora. Como dirigentes, assumimos esse risco, pois, se não seguirmos lutando, vão privatizar a terra, vão privatizar a água, vão
nos impor à força sementes transgênicas e vão nos tornar consumistas. Assim, nós campesinos e indígenas seremos reduzidos a nada. Mas, não queremos isso. Creio que só lutando podemos conseguir o respeito e a soberania do nosso país.

Quais são os grupos perseguidos pelo governo Garcia hoje?

Lourdes - São movimentos indígenas e do campo. Há também companheiros da cidade. Todos são dirigentes que, como nós, reclamam por justiça e pedem que não se venda a terra e não se privatize a água. Dizem que somos terroristas porque saímos pelas ruas a nos mobilizar. Por isso, para nós, hoje, regressar ao Peru é um pouco preocupante. Recentemente, quando um
companheiro nosso, também líder campesino, voltava ao Peru, foi detido no aeroporto. Nós não sabemos como estará quando estivermos voltando. Nossas companheiras peruanas nos dizem para que tenhamos cuidado porque pode haver ordens de detenção contra nós. Mas, não sabemos de nada porque eles não avisam, não dão antes uma notificação. Só vão lá e te detêm.

Como vocês estão convivendo com a perseguição do governo?


Lourdes - Sabemos que nossas companheiras que estão clandestinas vêm sendo protegidas por outras companheiras solitárias. Um de nossos companheiros, o líder indígena Alberto Pizango [atualmente refugiado na Nigarágua] não se encontra com a gente em nosso país. Preferimos que ele se refugiasse em outro lugar porque, se ele fosse detido, sua vida correria perigo. Caso detido, ele não seria somente preso, mas também torturado e morto. Tememos que também nos detenham e nos façam esperar na cadeia que a Justiça venha nos libertar porque é injusto que nos prendam. Outro temor é que nos torturem, ou nos matem e depois façam parecer que foi tudo um simples acidente, ou uma briga entre bandidos do cárcere.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

SALVAÇÃO OU PERDIÇÃO
10/08/2009


Levantava degraus hercúleos pelo caminho. Seus tornozelos estalavam a insuficiência de seu equilíbrio.



Degraus entre o paraíso e o inferno – PURGATÓRIO


Tenta intenta
cabula o depois de amanhã
e passa a perna nessa vida bolorenta
FÉTIDA!


Degraus entre o paraíso e o inferno – PURGATÓRIO


7 pecados?
Somente o capital restou
E, mesmo assim, ninguém se salvou.


Degraus entre o paraíso e o inferno – PURGATÓRIO

Tenta intenta
bebe néctar de falsos deuses
e a existência continuará isenta


Degraus entre o paraíso e o inferno – PURGATÓRIO


Confundia-se entre o jazz e a bossa nova

Tenta intenta
E tripudia sonhos na alcova


Degraus entre o paraíso e o inferno – PURGATÓRIO

e diante de deus e do diabo, quem se salvou?


domingo, 9 de agosto de 2009

Noite parisiense ao bombardeio


Noite parisiense ao bombardeio




09/08/2009

“Eles que comam brioches”
E seu libertário homem
Em capa vermelha
Lhe apresentava dauphins?
Oh Antonieta?
Chora a dor do parto em leito convalescente
Enquanto pobres sonham com migalhas
“E eles que comam brioches”
Não! Não às amas de leite! Não às governantas!
Pero hay que governar
Completamente incompreendida
e alienada pela Corte
e quem era?
Apenas uma puta (quase descoberta) dada a um sueco
Maria Antonieta

a sentença está posta

e não tenha medo

não chore meu filho

não chore minha filha

assim será

Amém


domingo, 2 de agosto de 2009

ÚLTIMO TANGO EM PARIS


ÚLTIMO TANGO EM PARIS
Homenagem para Bertolucci

02/08/09



Perdidos em uma noite de boemia parisiense
tergiversavam fantasias pelas escadas de um prédio andarilho
enquanto a gorda mulher gargalhava daquele pseudo affair
pensavam: é possível gozar sem se tocar?
apertavam os olhos em busca de prazeres imagináveis
a sagrada família vociferava hipocrisias da história

e quem eram?
Nada mais ou nada menos que um homem e uma mulher
Um homem? Uma mulher?
apenas sexo. Dois sexos que não se diferenciavam
e nenhuma questão de gênero

entre a manteiga que escorria entre sexos
alucinavam suicídios de virgens
rolavam pelo chão
e como crianças celestiais, ainda pensavam:
é possível gozar sem se tocar?

trançavam pernas
e em seu último tango
entre o sagrado e o profano
entre o ritual e o fugaz
entre champanhe e uma punheta famélica
a morte anunciou o fim

carne, sexo, estômago

esvaindo sangue em uma varanda exangue

Nada mais ou nada menos que um homem e uma mulher
Um homem? Uma mulher?
apenas sexo. Dois sexos que não se diferenciavam...





sábado, 1 de agosto de 2009

Meu canto

01/08/09


Eu canto a dor que varre corpos esquizofrênicos. Corpos que mal se sustentam em pés frágeis de bailarinas de covis. Eu canto o desmascarar de poses mal refletidas em lentes convexas. Eu canto a dor mais pura que ocupa estômagos vazios. Eu canto a dor de uma boceta mal compreendida em encenações shaksperianas. Eu canto toda a contradição deste mundo. Eu canto o passado, o presente, enquanto o futuro permanece engasgado. Eu canto a perdição de amores nada perfeitos, mais do que vagabundos. Eu canto tudo aquilo que lhe parece ridículo e apreendido em orgasmos mal contidos. Eu canto os desejos mais carnais de religiosas em oração. Eu canto a prece nunca ouvida. Eu canto os gemidos de putas bêbadas. Eu canto até que a própria poeta esteja liberta de suas e alheias amarras.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

possivelmente?



Sonhei com a imagem perfeita para uma das possíveis respostas à pergunta abaixo:


AJOELHA E SE SATISFAZ COM O PECADO ORIGINAL




terça-feira, 28 de julho de 2009



Eis a questão - alguém responde a essa merda?



28/06/2009


Entre libertação e opressão existe uma linha muito tênue...
Até quando avançar?







domingo, 26 de julho de 2009

¿Hasta cuando?

¿Hasta cuando?
26/07/2009

Poema em homenagem ao Movimento cubano 26 de Julho e aos 50 anos do Triunfo da Revolução Cubana


¿Hasta cuando?
Venga y liberta
¿Hasta cuando?
En las cadenas de la dictadura
Imperialismo cruel y facista
que rompe lo sangre de nuestra tierra
hambre analfabetismo opresión
¿Hasta cuándo?
Venga y liberta
Entra en las trincheras
Listado fuerza en fusiles
Significado de los sueños de cócteles Molotov
ESPERANZA: no susurró en su radio rebelde - LO GRITO
Venga y se mueve
Liberta nuestra Habana y todo el pueblo latinoamericano
Venga y se mueve
Muestra libertación en tuyas banderas
Venga y se mueve
Hasta una Cuba libre y soberana
HASTA LA VICTORIA SIEMPRE!!

terça-feira, 21 de julho de 2009

VIVA CUBA LIVRE E SOBERANA!!!



PELO FIM DO BLOQUEIO ECONÔMICO
PELA LIBERDADE DOS CINCO HERÓIS CUBANOS PRESOS INJUSTAMENTE PELO IMPERIALISMO NORTE-AMERICANO




VIVA CUBA LIVRE E SOBERANA!!!


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Você é negra? Você é negro?

Você é negra? Você é negro?

20/07/2009


Sempre me dizem:

- Você não é negra. Só seus cabelos denunciam a raça.

Cansei de ouvir esta expressão e tenho a resposta para todos que me questionam:

- Se não sou negra, porque sofro preconceito racial todos os dias e em todos os ambientes?

Certamente, nunca estiveram em uma loja do shopping e foram confundidos com o vendedor; ou lhe pediram para servir um cafezinho em eventos como congressos ou palestras; ou fora ignorado em universidades e escolas; ou simplesmente ouvido o seguinte: “fala com a neguinha ali”; ou em uma roda de pessoas, desconhecidos cumprimentam com beijinho e abraço todos os brancos, menos aqueles de cor distinta. E, pior, em um antigo trabalho seu ex-chefe lhe diz: seu cabelo não é esteticamente aceito... Agora eu pergunto:

- Quem de vocês passa por tais situações cotidianamente????

Ser mulher e ser negra não é nada fácil. E jamais deixarei de assumir minha identidade racial, ao contrário, lutarei até o fim por ela. E, para demonstrar um ponto positivo da luta, é bom ressaltar que a L’oreal foi multada justamente por preconceito de raça (notícia abaixo).

E eu, particularmente, não me identifico lá fora. Cartazes, outdoors, novelas, propagandas, modelos, manequins. Novelas com protagonistas negros ou são sobre escravização ou sobre um tema que já tenha conotação racial pejorativa, como por exemplo, “A Cor do Pecado”. O restante se transforma em empregada, motorista, entre outros subempregos. É bom lembrar que cerca de 70% da população pobre é negra!!! E por onde andam as políticas? Em debates subalternos da sociedade dividida...



L’Oréal é condenada por racismo

A empresa de cosméticos francesa L’Oréal foi condenada pela suprema corte do país a pagar uma multa de 60 mil euros (R$ 164 mil) por discriminação racial. Segundo o jornal The Times, a Justiça considerou que companhia assumiu que mulheres negras, árabes e asiáticas não eram “dignas” de promover seu xampu.

A Justiça francesa julgou que a L’Oréal procurou um grupo de mulheres brancas para promover o Fructis Style, da Garnier, divisão de produtos de beleza da empresa. Segundo o jornal, as promotoras de vendas para o produto pretendidas pela empresa deveriam ser BBR – bleu, blanc, rouge (azul, branco e vermelho), as cores da bandeira do país e um código do mercado de trabalho local para “franceses brancos nascidos de pais franceses brancos”.

La Cour de Cassation, o equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro, considerou que a exigência infringiu a lei trabalhista francesa e manteve uma decisão do tribunal de apelações de Paris, tomada em 2007.

A derrota é mais uma mancha na imagem do maior fabricante de cosméticos do mundo, disse o The Times. A empresa gastou milhões de dólares em propagandas com estrelas como Andie MacDowell, Eva Longoria, Penélope Cruz e Claudia Schiffer, informou a reportagem.

A L’Oréal também teve sua imagem arranhada no ano passado quando seus executivos foram forçados a negar que a empresa tinha deixado mais branca a cantora americana negra Beyoncé Knowles.

Com a condenação, a L’Oréal e a Adecco (agência de recrutamento usada na ocasião) terão que pagar, cada uma, 30 mil euros (R$ 82 mil) de multa e doar outros 30 mil euros, cada uma, para a organização SOS Racisme, que combate a discriminação racial na França.

Em nota enviada ao jornal, a L’Oréal expressou “desapontamento” com a decisão e a Adecco se recusou a fazer comentários. Já as filiais brasileiras das empresas não foram encontradas para comentar a condenação.

Agência Terra

domingo, 19 de julho de 2009

Acessem o link: http://oglobo.globo.com/rio/bairros/posts/2009/06/25/faixas-contra-desordem-dividem-ipanema-198267.asp

Um flashback histórico de Pereira Passos?
Higienização?
Choque de ordem?

Imaginem só a seguinte frase: "A esmola é uma droga que vicia e rouba o futuro". Pois bem, um tal "Projeto de Segurança de Ipanema" espalhou dezenas de faixas pelo bairro com frases completamente pejorativas, sem fundamentação histórica ou argumentação embasada. Não quero entrar no mérito de dar ou não esmolas, mas será que é isso mesmo que vicia e rouba o futuro?

Quantas crianças estão fora das escolas?
Quantas vagas em universidades públicas existem e para quantos jovens?
Quantos professores e servidores públicos vivem em condições extremamente precarizadas?
Quantas pessoas morrem de fome ou diarréia em nosso País?????
Por que existe desigualdade???

Sempre perguntas e questionamentos e continuo a perguntar: O que vicia e rouba o futuro????

TOTAL REPÚDIO ÀS FAIXAS DO PROJETO DE SEGURANÇA DE IPANEMA!!!
SERÁ QUE ALGUM DELES JÁ SUBIU UM MORRO????

sábado, 18 de julho de 2009

FALO A TODA HORA

FALO A TODA HORA

18/07/2009

Quanto mais eu falo, menos compreendem. Sou aquilo que o mundo diz e quase pensa. Ouvidos não existem para o outro, apenas a preponderante arrogância do indivíduo. E para que serve a libertação? Se não for coletiva, para quê? A transformação é um processo radical que também exige algumas limitações e concessões, desde que saibamos quando interrompê-las. Mas nunca devemos esquecer: é um processo! É realmente admirável e, por isso mesmo, devemos construí-la e, é claro, racionalizando o método, seja por meio da ruptura ou construção paulatina. Crítica e desdém devem ser considerados se a auto-crítica os acompanha, caso contrário, serão fruto de mero egoísmo umbilical. Abominável a eterna contradição. Assim, pergunto: se não praticamos entre nós mesmos, quando virá a revolução?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

TIC-TAC

TIC-TAC

17/07/2009

Cristalizava culpa em sentimentos ambíguos. Alimentava resquícios de uma ressaca mal curada. Ponteiros do relógio infernizavam sua omissão. O tempo corria e ardia. Dividia-se entre clássicos da literatura, ora médico, ora monstro. Mas recusava qualquer final feliz de histórias para dormir. O tempo corria e ardia. A dor percorria veias de seu corpo, pulsava em sua mente e deixava sua alma em ebulição. Quiçá o inferno, enquanto as chamas de um eu descompromissado escarravam a virgindade dos seus. O tempo corria e ardia. Ainda tomava seu café tentando descobrir quem era aquele em seu espelho cotidiano...

domingo, 12 de julho de 2009

INSÔNIA

INSÔNIA

12/07/2009

Suas olheiras dispersavam a atenção de moribundos. Com ombros curvados, caminhava, solitária, em busca de Morfeu. Nada lhe apetecia e, pelo caminho, cruzes de corpos esquecidos eram levantadas. Vozes dissonantes acompanhavam o tormento dos injustos, enquanto covas engoliam cadáveres de ruas. Ainda assim, fez sua cama e com a volúpia de uma puta triste deitou entre terra e ossos. Esperava o amanhecer da barbárie. E, com a chegada da aurora, molhou a terra com seu gozo. Semeou novos frutos e, enfim, alimentou a esperança.

sábado, 11 de julho de 2009

Murmuros de uma noite qualquer

Murmuros de uma noite qualquer

11/07/2009

Murmurava rabiscos em papel machê. Odiava retas, apesar de ser uma... Nas elipses pensava em seu melhor orgasmo. Não lhe importava nada, mas ainda agia com a timidez de dois pontos, ou seja, um ponto liga ao outro e nada muda. Odiava o horizonte, nada desse infinito lhe acometia. Procurava limites e ... em vão ... Nada lhe importava, nem os estereótipos traçados em uma folha de guardanapo barata. Escrevia poemas e procurava o plural: as formas. E por onde desenhavam seus poemas? Era incompreensível e compreendia o impossível. Assim, calmamente, iniciou retas da limitação e... aceitou. Aceitou a solidão. Sempre melhor que a imposição.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sobre artigos definidos que não queriam ser mulher

Sobre artigos definidos que não queriam ser mulher

08/07/2009

Ainda misturava seu prozac com vodca barata, enquanto rangia dentes na varanda. Pensava na altura, em saltos mirabolantes a deus dará. Nunca quis ser mulher e, mesmo assim, regava flores. Pensava na lua, naquele feminino exacerbado. E aí percebeu: o feminino poderia ser masculino. O feminino, embora o masculino... e aí, arremessou sua garrafa de vodca até a parede. E, com o estilhaçar dos cacos de vidros, o sangue jorrou. Jorrou entre pernas o vermelho anúncio. Nunca quis ser mulher. E se deixou comer pela lua. Afinal, ali, conseguiria encontrar o verdadeiro masculino. Nunca quis ser mulher, mas teve de aprender.

sábado, 27 de junho de 2009

SOBRE O DIPLOMA

Sobre o diploma

27/06/2009

Demorei um pouco para me manifestar. Talvez por uma falsa esperança ou descrença na decisão. Mas o fato é que nós, jornalistas, perdemos o diploma. Não irei enumerar, mais uma vez, os motivos pelos quais defendo a causa. Me aterei a um novo fato: a polêmica fala de Gilmar Mendes em que nos compara a cozinheiros. Muito tenho lido sobre isso e, confesso, não tenho gostado. Reacionária, esta impertinente intervenção coloca trabalhador contra trabalhador, além de assumir um outro caráter na luta de classes. Como militante sindical da categoria, luto por um mundo melhor, uma sociedade justa, realmente democrática e soberana. Acredito que todos somos iguais e, portanto, companheiros. Não dá para deixar de criticar a fala de Gilmar (tanto em seu mérito, como em conteúdo) que criou um clima de desgaste e conflito desnecessário.

Para mim, não é insulto ser comparada a um cozinheiro. Ao contrário, luto para que todos nós, de maneira universal, tenhamos acesso à educação pública de qualidade. Para que todos nós tenhamos acesso a um diploma. Para que todos nós tenhamos direito à informação. O que não aceito é perder direitos. E a perda do diploma significa uma perda histórica em nossa categoria que sempre foi fundamental para a democracia. Nos tempos mais duros de nossa História que foi a Ditadura, a imprensa, seja por via institucional ou militante, exerceu papel fundamental e protagonista na luta pelos direitos, pela democracia e pela liberdade. No entanto, com o passar do tempo, nossa profissão tem adquirido um caráter mercadológico, tanto nas universidades, como nas empresas. Empresas estas que deveriam atender a outra lógica e não à lógica do capital que distorce a informação.

Se perdemos o diploma hoje, ou seja, a nossa legitimidade, o que perderemos amanhã? Quem sabe nossa jornada de 5+2 horas? A sinergia já existe e é cada vez maior o número de jornalistas que além de escrever, fotografam, dirigem e até diagramam pelo mesmo piso salarial (embora, muitas vezes, não respeitado) e excedem a carga horária sem ganhar a mais por isso. E os profissionais que não têm diploma? Como serão regulamentados? Quem defenderá os direitos deles? Haverá equiparação salarial ou cairemos na lógica da precarização e mão-de-obra barata?

Deixo alguns deveres: devemos pressionar por uma nova lei de regulamentação de nossa profissão; também devemos lutar pela equiparação salarial e de direitos aos trabalhadores que não têm diploma; devemos debater profundamente o currículo acadêmico e o ensino de base; devemos propor políticas públicas de educação e a real transformação do nosso País e, por fim, lutar intransigentemente pela democratização da informação e pelo fim do monopólio da imprensa.

Não podemos segregar. É hora de unir forças, principalmente, em um momento tão delicado na conjuntura político-econômica. E que nunca nos esqueçamos de que todos somos trabalhadoras e trabalhadores.


INFORMAÇÃO NÃO É MERCADORIA, MUITO MENOS O MEU DIPLOMA!

E QUE O GILMAR VÁ NEGOCIAR E FAZER LOBBYS EM OUTRO MUNDO...

sábado, 20 de junho de 2009

O cheiro

O CHEIRO

20/06/2009


e samambaia tem cheiro?
tem?
tem?
hein?
hein?
ó dó
sinto odor
tem?
tem?
hein?
hein?
ó dó

e samambaia tem cheiro?
enquanto pensa, aconselho
molha molha
rega a dor


sexta-feira, 12 de junho de 2009

MINHA SAMAMBAIA

MINHA SAMAMBAIA

11/06/2009

ela olhava
encarava
escancarava

ela crescia
abria as pernas
esternecia


ela era
estava sendo
era quase uma erva ou podia ser


ela arrepiava
arreganhava cabelos
e se despia num instante


Ah! Que saudade da minha samambaia!


domingo, 7 de junho de 2009

CORRERIA

CORRERIA

07/06/2009


corre ... corre ...
correria ...
ela ia ...
favela ...
corre ... corre ...
dpo ... siglas ...
e mães choram pelos becos pelos filhos perdidos
pelos filhos assassinados
assassinados por eles
aqueles uniformizados
dpo
corre ... corre ...
CORRE trabalhador
CORRE mulher
CORRE criança
a polícia vem aí

e o sangue dos pobres escorre pelas vielas das favelas...
e ninguém vê...

nenhuma mancha nos jornais ...

chega de reticências ... é hora de resistência !!!!

terça-feira, 26 de maio de 2009

CRIADOR

Criador

26/05/2009

criado - criatura - criador
cria - ria - ia
cri - cri - cri
cria a dor
Ele
cria tua
dor
Ele
cria - ria - ia
cri - cri - cri
e o criado ficou mudo....

quinta-feira, 14 de maio de 2009

MEU ANIVERSÁRIO - 25 ANOS



"Existir me dá às vezes tal taquicardia. Eu tenho tanto medo de ser eu. Sou tão perigoso. Me deram um nome e me alie­naram de mim."



Clarice Lispector

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Câmbio

Câmbio

25/03/2007

Adormecida pelas sinalizações.
As bandeiras não acompanhavam
meu ritmo aéreo,

e eu mais leve que qualquer nuvem
mais carbônica que qualquer oxigênio
apenas garganta.
Muda.

“Câmbio”
...
os pássaros suavam entre hélices;
uma espiral em movimentos subliminares
quase elípticos.

Mas não! Não!
Não poderia ser!
...
“Câmbio”

poeira flutuante do ar,
turvo apêndice que
nada.
(...)



domingo, 10 de maio de 2009

Cinema

Indico o filme brasileiro "Estômago".

Entranhas, cu, bunda, sexo, sangue, enfim... estômago; ser humano.


quinta-feira, 30 de abril de 2009

Coisas da imprensa

Foto feita durante a manifestação realizada no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, no dia 1º de abril de 2009.


Coisas da imprensa

30/04/2009

“Vai virar um verdadeiro zoológico humano. São animais humanos, infelizmente”- Esta foi a declaração do governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB) sobre a demarcação das terras da reserva Raposa Serra do Sol, garantida aos indígenas. Como pode um representante do povo (ou melhor, representante do capital) emitir uma declaração tão preconceituosa como essa?? Todo o repúdio ao governador de Roraima!!!



A Lei de Imprensa foi totalmente revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com projeto do deputado Miro Teixeira (PDT). Criada na época da ditadura, a Lei tinha caráter extremamente autoritário e abusivo. Impressionante como tal documento permaneceu em vigor por mais de 40 anos no Brasil. A revogação total da Lei de Imprensa é problemática, porque acabou a regulamentação no que tange o direito de resposta. Precisamos de uma Lei de Imprensa atual, renovada e realmente democrática e não a revogação total dela, porque é fundamental garantirmos meios de regulamentação da profissão. Agora esperemos a próxima votação: permanência ou não do diploma para jornalista. Diploma já!



terça-feira, 28 de abril de 2009

Libertação

28/04/2009

e a libertação é possível hoje?
creio que
apenas se for coletiva...
caso contrário, espelho de egoísmo
libertação individual
e o outro?
afunda!

domingo, 26 de abril de 2009

MAIS TEMPO


Mais tempo

26/04/2009

- “Pode ficar tranquila, os exames descartaram a suspeita de tumor”. E o alívio tomou conta da minha saída do consultório. Depois de, praticamente, dois meses vivendo angústias sem fim e sem imaginação, idas e vindas em consultórios tanto do sistema público, quanto do sistema privado, finalmente, o pior se esvai. Nunca imaginei que, aos 24 anos, poderia ouvir notícia tão dolorosa como a de uma suspeita de tumor no estômago.

Tudo começou com uma dor de garganta adquirida fora do País e que não melhorava, mesmo com antibióticos, mel, própolis e afins, nada passava. Depois vieram os inúmeros diagnósticos: faringite, esofagite de refluxo, úlcera e, enfim, o possível tumor. Desesperei-me, é claro. Afinal, até a chegada do resultado dos exames ainda ficaria angustiada com tal possibilidade. Fiquei imaginando que poderia morrer a qualquer momento, que o fio que segurava minha vida era mais suave que o sopro de uma brisa.

“- Não! Não poderia morrer aos 24 anos”, eu pensava. Muito jovem, muito desengonçada, muito sorridente, muito inexperiente, muito imatura, muito infeliz... Tantas coisas por fazer. Tanto ainda por Ser. Tanta poesia perdida em minh’alma. Tanto por amar. Tanto por ser amada. Tanto por brindar. Tanto por gargalhar.

Enquanto me enrolava nestes pensamentos carregados de culpa cristã e arrependimentos (confesso!), isolei-me do mundo. Não contei a nenhum dos meus amigos, apenas família sabia e, assim, recolhi-me em casa. Fiquei só, sem celular, telefonemas, internet. Preferi a solidão e deixar toda a lamentação redundante para o diagnóstico. Muitos não compreenderam, mas esta reflexão foi um momento muito individual.

E chegou o dia da endoscopia e da biópsia. E, antes do Dormonid (remédio para dormir) fazer efeito, lembro-me das duas últimas perguntas do médico:

- “Casada ou solteira”?

- “Solteira”.

-“ Idade”?

- “24 anos”.

E, com o som da minha idade, adormeci para a realização do exame. Entrei em um mundo de imaginação com aquela droga. Ouvia as pessoas na sala de repouso, mas não assimilava suas palavras. Entrei em um táxi completamente perdida nessas Campinas. Não reconhecia as ruas, os bairros e muito menos minha casa. Afinal, quem eu era? E o Dormonid, ao longo do dia, me mostrava que eu nada sabia ou conhecia. Pouco mais de duas décadas não foram suficientes para desbravar essa louca vida. E, certamente, eu precisava de mais tempo...


quinta-feira, 23 de abril de 2009

Mãe preta - Campinas



Mãe preta Campinas


terça-feira, 21 de abril de 2009

CALCULADORA

21/04/2009

Nem jorges ou chicos

Entre as pernas o cu arreganha os dentes sedentos pela próxima refeição

O amanhã revela o estupro prometido e desejado pelas mães de praças antigas

Pêlos e pregas assustam a ingenuidade corrompida de criancinhas

E o cu lambe beiços voluptuosos

Nem jorges ou chicos

Escorre o gozo e atravessa línguas de Babel entre coxas

Dor e amor: soma incalculável do mais temeroso orgasmo

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O arco

Indico o filme sul-coreano "O arco". Um homem de, aproximadamente, 60 anos cria uma menina desde que é recém-nascida para ser sua esposa quando completasse 17 anos. Detalhe: ambos completamente isolados em um barco no meio do oceano. Belíssimo e sonoro.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Anaïs Nin



Recomendo o livro "Henry e June", de Anaïs Nin. Não posso dizer que foi o melhor livro que já li, pois não acredito nisso. Cada livro revela uma particularidade, uma subjetividade. E Anaïs Nin revelou em páginas um pouco de minh'alma.



sábado, 11 de abril de 2009

This is the end

09/04/2009

Por que ninguém escuta meu sussurro através do muro?
Este foi meu único apelo em vida.

E cá estamos nós. Entre o vazio e o inconsequente. Ambos quebrados na mínima expansão de um espelho côncavo. Girassóis fenecem em varandas e corvos saúdam Van Gogh em ascensão. A calçada torna-se um imenso quebra-cabeça para mentes obsessivas. Faltam peças no caminhar e tudo isso assusta. Toda essa mutilação diária do ir e vir. E ainda nos escondem aquilo que aflige. Aquilo que tortura. O estalar de chicotes, o som de flautas agudas. Ah! E pesadelos são abençoados por Nossa Senhora.

A morte persegue corações desesperados. Único acalanto para almas em perdição.

Vem e enrola meu corpo nu em seu manto frio e fúnebre. Vem e para o correr do sangue quente em minhas veias. Acaricia meus seios e estagna meu coração pulsante. E, finalmente, beija meus lábios ardentes e leva contigo meu último suspiro. Serei tua, na divisão dos vermes em decomposição.

This is the end!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Cínico cotidiano

Números e mais números

08/04/2009

Números e mais números de uma hipocrisia revelada. As contas amontoavam-se em um criado mudo cúmplice de sua matemática insana. O barulho ensurdecedor da calculadora lhe incitava a neurose. E apenas números... Desgraça incalculável de uma mais-valia garantida. Sufocado, precisava respirar e, fora de casa, alcançou qualquer meio-fio perdido pelo cotidiano. Sua única certeza era o Apocalipse representado em números: folhas bastardas de um livro mal dito e pronunciado por línguas pagãs nas esquinas. Qual a diferença entre as esmolas e os sermões? As cercas e os versículos? A fome e os anjos? Não! Não sabia e nem uma revelação lhe era prometida em orações. Sangrou os joelhos pela faixa de pedestre e gritou aos Céus:

- “Em nome do Pai”.

E o seu pai não era Deus. Era seu País. Matou-se em meio ao cinismo daquelas folhas rasgadas de Bíblia.

terça-feira, 31 de março de 2009

Jornalistas e Jornalistas

Minhas queridas e meus queridos,

Nessa semana, estarei em Brasília defendendo a regulamentação da profissão do jornalista e acompanhando a votação da Lei de Imprensa no Supremo. Não conseguirei postar por esses dias...


Sobre as eleições do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Perdemos as eleições, mas tivemos um resultado histórico em nossa categoria. Sindicato não significa relação de amizade. Sindicato é pra lutar! Tivemos muitos apoiadores em Campinas, mas poucos sindicalizados, além do alto índice de abstenção dos colegas jornalistas na região, o que significa uma forte insatisfação com a atual diretoria. Continuaremos travando a luta pelos nossos direitos e pelo fortalecimento da categoria. Se você não é sindicalizado, é hora de se sindicalizar e convidar outros colegas! Sindicalizem-se jornalistas! Segue abaixo mensagem da Chapa 2 aos eleitores e apoiadores.

Aos nossos eleitores e apoiadores, muito obrigado!

Encerrado o processo eleitoral no Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, nós, membros da Chapa 2, “Enfrentar a Crise, Sindicato é Pra Lutar!”, agradecemos a todos/as aqueles/as que confiaram na nossa disposição de luta e nosso Programa e apostaram na proposta de renovação do Sindicato. Não conseguimos vencer, mas reafirmamos nesta campanha a grande vitalidade da Oposição e o respaldo que continua a merecer na maioria das grandes redações.
Nesta eleição, 1.168 jornalistas tiveram seus votos validados.

A Chapa 2 recebeu 515 votos, 44% dos votos válidos. A Chapa 1, da situação, recebeu 653 votos, 56%.

Apesar da derrota, a Chapa 2 foi a mais votada na capital: somadas as urnas 1 (sede) e 2 a 6 (volantes), recebemos 303 votos, mais do que os 283 votos recebidos pela Chapa 1.
É um resultado histórico, que indica a existência de uma crescente insatisfação dos/as jornalistas com a apatia e o abandono que vitimam nosso Sindicato. Insatisfação que não se manifesta apenas nas redações, mas também é encontrada entre assessores/as de imprensa e colegas aposentados/as.

Nas regionais, bem como na urna de votos por correspondência, fomos derrotados. Mas vencemos em Bauru (34 x 19) e obtivemos resultados importantes em Piracicaba (14 x 15), Sorocaba (17 x 20) e Santos (43 x 78).

Continuaremos batalhando para fortalecer nosso Sindicato e dar-lhe um perfil combativo, capaz de defender a categoria da ganância dos patrões e de torná-lo um protagonista atuante na sociedade brasileira, em especial na luta pela democratização das mídias. Para tanto, a sindicalização de milhares de jornalistas é um passo indispensável.

Como temos feito ao longo dos últimos anos, procuraremos, com a ajuda da categoria, fiscalizar a diretoria eleita e exigir que cumpra seus compromissos de campanha, além de prestar os esclarecimentos necessários quanto a denúncias recentes que ainda não foram respondidas satisfatoriamente.

A todos os que nos apoiaram, reiteramos nosso muito obrigado!

Chapa 2, “Enfrentar a Crise, Sindicato é Pra Lutar!”

quarta-feira, 25 de março de 2009

AINDA SOBRE DOR

22/03/2009

O sofrimento não tem medida

me diga
mendiga
mendiga atenção
e nem uma colher rasa
lhe tem


A dor extrapola a alma e alcança o corpo. Este é o anúncio ao mundo. Um anúncio mal visto e invisível diante de um classificado barato de esquina.


O sofrimento não é uma competição. Não brincamos de aritmética com graças e desgraças. Não importam as perdas e os fatos. O que importa é sua capacidade de aguentar a dor. Afinal, cada um a sente a seu modo. Obviedades... a individualidade. E nem menciono resiliência. Prefiro compreensão, alteridade. E quando dizem (julgam!): "Existem tantas dores maiores, tantos mais problemas...". E, no final da semana, o jornal estampa a manchete: "Suicidou-se". Título sem sujeito, apenas Verbo. E quem somos nós? Aí vem o juízo final.


quinta-feira, 19 de março de 2009

Eleição Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

JORNALISTAS DE SÃO PAULO

- Capital e interior -

VOTE CHAPA 2


Na próxima semana acontecem as eleições do Sindicato dos Jornalistas/SP. Os locais e as datas para a votação em Campinas são as seguintes:

- Dia 24/03 - terça-feira :
* Urna fixa na sede (rua Dr. Quirino, 1319, 9º andar) das 10 às 19 horas
* Urna no Correio Popular das 10 às 15 horas

- Dia 25/03 - quarta-feira:

* Urna fixa na sede (rua Dr. Quirino, 1319, 9º andar) das 10 às 19 horas
* Urna na EPTV das 13 às 19 horas

- Dia 26/03 - quinta-feira:
* Urna fixa na sede (rua Dr. Quirino, 1319, 9º andar) das 10 às 19 horas


Declare seu apoio à nossa chapa!
Mais informações com Camila Marins:
(19) 9656-7287 ou
camila_marins@yahoo.com.br


As eleições para a diretoria do nosso Sindicato ocorrem exatamente quando a crise econômica mundial começa a atingir o Brasil. Entidades como a Fiesp pressionam os sindicatos e as centrais para que aceitem a redução de salários. Não podemos tolerar “soluções” desse tipo.
As empresas de mídia têm faturado alto nos últimos anos. Continuam a lucrar nos primeiros meses de 2009. Mas recusam-se a transferir para os salários dos jornalistas e das outras categorias do setor uma parcela sequer dos seus enormes ganhos de produtividade. Pelo contrário: uma onda de demissões começa a atingir fortemente a categoria.

A atual direção do Sindicato, que tenta reeleger-se por intermédio da outra chapa, não tem feito o necessário enfrentamento com os patrões. Os pisos da categoria estão “lá embaixo” e os reajustes mal acompanham a inflação do período.

Calcula-se que em todo o Estado de São Paulo somos cerca de 17 mil jornalistas na ativa. No entanto, o total de sindicalizados não chega a 4 mil. Um número irrisório para um Sindicato com um passado de lutas e que já teve mais de 5 mil associados (quando a categoria era muito menor). Esse distanciamento entre os jornalistas e sua entidade tem muitas causas, dentre as quais a atuação medíocre do grupo que dirige o Sindicato há quase 20 anos.

O Sindicato dos Jornalistas é mais necessário do que nunca para refrear e combater os abusos das empresas. Cabe a ele organizar a defesa dos direitos dos jornalistas e sua força está ligada à sua representatividade.

Está na hora de renovar a direção do nosso Sindicato!

Chega de mesmice!

Vote Chapa 2 para mudar de verdade!




20 motivos para votar na Chapa 2

1. Enfrentar a crise sem abrir mão de direitos

2. Está na hora de aumento real! Aumento progressivo do valor dos pisos salariais da categoria

3. Mais empregos com carteira assinada. Chega de “pejotização” fraudulenta e de exploração dos “frilas fixos”!

4. Exigir o respeito à jornada de trabalho do jornalista, lutar pelo fim dos bancos de horas e por pagamento das horas-extras trabalhadas

5. Combater o assédio moral, assédio sexual e outros abusos patronais

6. Defender os direitos autorais dos jornalistas e enfrentar a “sinergia”

7. Defender o diploma de jornalista e a regulamentação da profissão

8. Defender a saúde do jornalista. Chega de estresse!

9. Sindicato independente e autônomo frente a patrões e governos

10. Sindicato firme, que não se dobre nas negociações com as empresas

11. Fortalecimento das campanhas salariais

12. Democracia de fato e participação da categoria no Sindicato

13. Maior autonomia às sedes regionais do Sindicato

14. Investir na filiação dos jornalistas, para fortalecer o Sindicato

15. Acabar com as taxas compulsórias

16. Respeito e valorização dos repórteres-fotográficos, repórteres-cinematográficos, cartunistas, ilustradores e editores de arte

17. Combate ao racismo, à homofobia e a todas as formas de discriminação

18. Lutar por aumento real no valor das aposentadorias e pelo fim do “fator previdenciário”. Defender a Previdência pública e universal

19. Contra as reformas que retiram direitos dos trabalhadores

20. Exigir que os governos estadual e federal adotem medidas que aumentem a proteção dos trabalhadores contra os efeitos da crise (desemprego e achatamento salarial) e ampliem o mercado de trabalho.

Está na hora de renovar a direção do nosso Sindicato!

Chega de mesmice!

Vote Chapa 2 para mudar de verdade!

quarta-feira, 18 de março de 2009



O QUE FAZER QUANDO A DOR EXTRAPOLA


O CORPO


E ESMAGA A INSPIRAÇÃO?



MAIS DOR?



quinta-feira, 12 de março de 2009



Recomendo o filme iraniano "Close-Up". Sob direção de Abbas Kiarostami, o filme é rodado nos anos 90 e tem uma história simplesmente genial.

terça-feira, 10 de março de 2009

Mini

Mini

10/03/2009

só me apaixono se for à força
então é hora de trazer a forca



sábado, 7 de março de 2009

Essa não dá para engolir!


Essa não dá para engolir!

07/03/2009

Quando penso que já vi de tudo neste País, engano-me absurdamente. Na terra da corrupção, do “rouba, mas faz”, do colarinho branco, do 171 e outras expressões mais, a revista Veja tem a pachorra de estampar em sua capa: “A tenebrosa máquina de espionagem do Dr. Protógenes”. E o pior ainda está por vir: “Protógenes bisbilhotou clandestinamente senadores, José Dirceu, Mangabeira Unger, FHC, José Serra, o presidente do Supremo – e até a vida amorosa da ministra Dilma Roussef”.

Pois bem, o delegado que, em outras operações, prendeu Pitta, Maluf, Daniel Dantas, Naji Nahas, o contrabandista Law Kim Chong (mesmo que muitos tenham sido soltos sem a punição necessária) e outros da mesma laia e agora o delegado é investigado por “bisbilhotagem clandestina”, como caracteriza e pauta a Veja. Até parece piada, história de bêbado ou pescador, mas é sério e as bancas já penduram nas prateleiras. Quem acredita na Veja? Em seu tom panfletário, denúncias protegidas por sigilo de fonte e muitas histórias mal contadas que, infelizmente, pautam o cenário político... Provavelmente, muitos jornalistas estão envolvidos nesta investigação e a Veja nada mais faz do que abafar a história pelo outro lado. Obscuridades que não vemos... Veja bem, caro leitor: quem acredita na Veja? E ainda ouvi entrevistas de Serra e Dilma que, embora sejam inimigos políticos, mantiveram o discurso bastante afinado. “Se isso ocorreu, quero punição, porque isso é ilegal”, ambos disseram mais ou menos isso.

E a punição daqueles que roubam descaradamente dinheiro público? Fraudam licitações públicas, fazem caixa dois, subornam... Isso tudo não é ilegal? Agora ilegal é investigar, fiscalizar aqueles que representam o povo de um país? Incompreensível. Que o Saci rodopie mais uma vez, porque essa não dá para engolir. Espero que a população não se conforme com mais esse absurdo e se indigne frente a essa injustiça. Apesar de estar cada vez mais desesperançosa com nossa sociedade repleta de mediocridade e hipocrisia, espero que as pessoas manifestem solidariedade ao delegado Protógenes que nada mais fez do que seu próprio dever. Também faz-se necessário amplo repúdio à Revista Veja!

quinta-feira, 5 de março de 2009

ENFRENTAR A CRISE - SINDICATO É PRA LUTAR!

Minhas queridas e meus queridos, divulgo aqui a chapa 2 "Enfrentar a crise - Sindicato é pra lutar!". As eleições serão nos dias 24, 25 e 26 de março. Depois informarei onde estarão as urnas. Conto com a colaboração e, principalmente, o apoio de todos nesta disputa pelo Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Juntamente com outros companheiros, estou representando a chapa aqui em Campinas e região. Manifeste o seu apoio e entre em contato: camila_marins@yahoo.com.br ou (19) 9656-7287

http://www.sindicatopralutar.com.br/


CHAPA 2 - ENFRENTAR A CRISE - SINDICATO É PRA LUTAR!

Direção executiva:

Presidente - Pedro Estevam da Rocha Pomar,
Secretária-geral - Beatriz da Costa Barbosa,
Secretário de Finanças - ­ Wellington Inácio Costa,
Secretário de Ação e Formação Sindical - Hamilton Octavio de Souza,
Secretário de Cultura e Comunicação - Igor Fuser,
Secretária Jurídica e de Assistência - Maíra Kubik Mano,
Secretária do Interior - Cecília Figueiredo,
Secretária de Relações Sindicais e Sociais - Débora Oliveira,
Secretário de Sindicalização - Pedro Malavolta,

Conselho de Diretores:
Ana Maria Straube, Fausto Salvadori, Gilberto Maringoni, Moacir Aparecido Mendonça "O Beleza", Cecília Luedemann, Ana Maria Barbour, Luciana Araújo, Antonio Biondi, José Arbex.

Comissão de Registro e Fiscalização:

Titulares:
Caco Bisol, Vinicius Mansur, Adriana Delorenzo
Suplentes:
Cristina Charão Marques, Alexandre de Jesus Trindade,
Conselho Fiscal:
Titulares:
Rodrigo Valente,Clayton Castellani, Miguel de Oliveira,
Suplentes:
Mouzar Benedito, Beatriz Pasqualino

Diretorias Regionais

Regional Bauru
Diretora regional:

Isabel de Carvalho,
Diretores de base:
Marcelo Moryiama, Juliana Lobato, Rafael Tadashi.

Regional Campinas
Diretor regional:
Reginaldo Cruz
Diretores de base:
Ademir Munhoz, Camila Marins

Regional Oeste Paulista
Diretor regional:
José Reis
Diretores de base:
Vanderlei Leão, Benedito Godoy Moroni

Regional Piracicaba
Diretora regional:
Sabrina Rodrigues Bologna
Diretores de base:
Maria Teodora Mazzucatto, Luciana Corrêa, Sônia Maria Rossi Leite

Regional Ribeirão Preto
Diretor regional:

Luis Ribeiro
Diretores de base:
Rita de Cássia Stella, Rodrigo Eduardo Botelho de Francisco,Tânia Cunha Barretto, Eduardo Shinsey lha, Adalberto Parras Luque.

Regional Santos
Diretor regional:
Luis Gustavo Mesquita
Diretores de base:
Rafael Marques, Flávia Souza, Arylce Cardoso Tomaz, Eliane Almeida

Regional Sorocaba
Diretora regional:
Fabiana Caramez
Diretores de base:
João José da Silva, Fernanda Ikedo, Evandro Messias da Silva.

Regional São José do Rio Preto
Diretor regional:
Raul Marques da Silva
Diretores de base:
Ana Maria Almeida Pereira, Alexandre Gama, Rogério Castro

Regional Vale do Paraíba
Diretor regional:
Lucas Lacaz Ruiz
Diretores de base:
Hélcio Consolino, Bruna Vieira Guimarães.

domingo, 1 de março de 2009

A dor de todos os dias!

A dor de todos os dias!

01/03/2009

E, de repente, nem os amigos o satisfaziam. Muitos menos encontros forasteiros. Não que os desprezasse ou alimentasse tamanha arrogância. Admitia plena insuficiência e incapacidade de dependência. E assim pensava:"Essa busca pela liberdade desconhecida mata o Ser sem qualquer aviso, porque a memória é seu maior inimigo".

Recusava aquilo que lhe ofertavam: aquilo que é profano e material. Simplesmente, o retrato de um cotidiano vulgar que, definitivamente, repugnava. A hipocrisia o cercava por todos os lados e mal era capaz de apontar inocentes. Balbuciou em qualquer canto por aí:


- "Morreremos assim: todos pecadores de um único mal".

Enquanto o silêncio tortura em câmaras escuras, quase confidenciais, resta saber: quem são os que carregarão a culpa? ...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009



Identidad


"Necesito ser otro
para ser yo mismo.

Soy grano de roca
soy el viento que la desgasta
soy polen sin insecto
y arena que sustenta
el sexo de los árboles.

Existo, así, donde me desconozco
aguardando por mi pasado
recelando de la esperanza del futuro.

En el mundo que combato
muero
en el mundo que lucho
nazco".


Mia Couto - escritor Moçambicano -
Poema extraído do livro
"Diwán Africano - poetas de expresión portuguesa"
selección, traducción, prólogo y notas de Rogelio Martínez Furé

REPÚDIO E SOLIDARIEDADE

Os abaixo assinados – que guardam ainda a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964 – manifestam seu mais firme e veemente repúdio contra a arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S. Paulo do dia 17 de fevereiro último. Ao denominar de "ditabranda" o regime político existente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal paulista insulta e avilta a memória dos milhões de brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país. Assassinatos, perseguições, torturas, prisões iníquas, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes praticados sistematicamente pela ditadura militar vigente no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico expresso pela noção de "ditabranda" não é, pois, senão a fraudulenta noção forjada por todos aqueles que, de uma forma ou outra, se beneficiaram da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Nosso repúdio igualmente se manifesta, de forma firme e contundente, diante da "Nota de redação", publicada pelo jornal em 20 de fevereiro (p. 3), em resposta a duas cartas enviadas à seção "Painel do Leitor". Sem argumentos e razões, a Folha de S. Paulo investiu ataques ignominiosos, arbitrários e levianos à atuação de dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Neste sentido, manifestamos nosso irrestrito apoio e solidariedade aos profs. Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato face às insólitas críticas pessoais e políticas que sofreram da direção editorial da Folha de S. Paulo por meio da infamante nota acima aludida.

Os professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos. Assine em:

http://www.ipetitions.com/petition/solidariedadeabenevidesecomparat/index.html

A Folha de São Paulo em editorial do dia 17 de fevereiro a respeito do referendo na Venezuela, se referiu à ditadura brasileira como"ditabranda". Questionada por leitores e pelos professores MariaVictoria Benevides e Fábio Konder Comparato, ao invés de retratar-se e se desculpar prefiriu acusá-los de "cínicos e mentirosos" por supostamente não criticarem a ditadura em Cuba. É uma ofensa a todos os brasileiros que perderam seus direitos políticos por 20 anos e viram seus concidadãos serem torturados e assassinados pelo estado que esses fatos sejam relativizados numa escala de horrores que vai da diatadura à"ditabranda". Há diversas iniciativas de indíviduos solicitando que assinantes deste jornal cancelem a assinatura. Essa é mais uma delas. Abaixo seguem o editorial, as cartas dos professores e a ofensiva einaceitável resposta da Folha de São Paulo.

*Limites a Chávez* ***Apesar da vitória eleitoral do caudilho venezuelano, oposição ativa e crise do petróleo vão dificultar perpetuação no poder *O ROLO compressor do bonapartismo chavista destruiu mais um pilar do sistema de pesos e contrapesos que caracteriza a democracia. NaVenezuela, os governantes, a começar do presidente da República, estão autorizados a concorrer a quantas reeleições seguidas desejarem.Hugo Chávez venceu o referendo de domingo, a segunda tentativa de dinamitar os limites a sua permanência no poder. Como na consulta do final de 2007, a votação de anteontem revelou um país dividido. Desta vez, contudo, a discreta maioria (54,9%) favoreceu o projeto presidencial de aproximar-se do recorde de mando do ditador Fidel Castro. Outra diferença em relação ao referendo de 2007 é que Chávez, agora vitorioso, não está disposto a reapresentar a consulta popular. Agiria desse modo apenas em caso de nova derrota. Tamanha margem de arbítrio para manipular as regras do jogo é típica de regimes autoritários compelidos a satisfazer o público doméstico, e o externo, com certo nível de competição eleitoral.Mas, se as chamadas "ditabrandas" -caso do Brasil entre 1964 e 1985-partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça-, o novo autoritarismo latino-americano, inaugurado por Alberto Fujimori no Peru, faz o caminho inverso. O líder eleito mina as instituições e os controles democráticos por dentro, paulatinamente. Em dez anos de poder, Hugo Chávez submeteu, pouco a pouco, o Legislativo e o Judiciário aos desígnios da Presidência. Fechou o círculo de mando ao impor-se à PDVSA, a gigante estatal do petróleo. A inabilidade inicial da oposição, que em 2002 patrocinou um golpe de Estado fracassado contra Chávez e depois boicotou eleições, abriu caminho para a marcha autoritária; as receitas extraordinárias do petróleo a impulsionaram.

Como num populismo de manual, o dinheiro fluiu copiosamente para as ações sociais do presidente, garantindo-lhe a base de sustentação. Nada de novo, porém, foi produzido na economia da Venezuela, tampouco na sua teia de instituições políticas; Chávez apenas a fragilizou ao concentrar poder. A política e a economia naquele país continuam simplórias -e expostas às oscilações cíclicas do preço do petróleo.O parasitismo exercido por Chávez nas finanças do petróleo e do Estado foi tão profundo que a inflação disparou na Venezuela antes mesmo da vertiginosa inversão no preço do combustível. Com a reviravolta na cotação, restam ao governo populista poucos recursos para evitar uma queda sensível e rápida no nível de consumo dos venezuelanos. Nesse contexto, e diante de uma oposição revigorada e ativa, é provável que o conforto de Hugo Chávez diminua bastante daqui para a frente, a despeito da vitória de domingo.

*Ditadura*"Golpe de Estado dado por militares derrubando um governo eleito democraticamente, cassação de representantes eleitos pelo povo, fechamento do Congresso, cancelamento de eleições, cassação e exílio de professores universitários, suspensão do instituto do habeas corpus, tortura e morte de dezenas, quiçá de centenas, de opositores que não se opunham ao regime pelas armas (Vladimir Herzog, Manuel Fiel Filho, porexemplo) e tantos outros muitos desmandos e violações do Estado de Direito. Li no editorial da *Folha* de hoje que isso consta entre "as chamadas ditabrandas -caso do Brasil entre 1964 e 1985" (sic). Termo este que jamais havia visto ser usado. A partir de que ponto uma "ditabranda", um neologismo detestável e inverídico, vira o que de fato é? Quantos mortos, quantos desaparecidos e quantos expatriados são necessários para uma "ditabranda" ser chamadade ditadura? O que acontece com este jornal?É a "novilíngua"?Lamentável, mas profundamente lamentável mesmo, especialmente para quem viveu e enterrou seus mortos naqueles anos de chumbo.É um tapa na cara da história da nação e uma vergonha para este diário."*SERGIO PINHEIRO LOPES* (São Paulo, SP)*Nota da Redação* - Na comparação com outros regimes instalados na região no período, a ditadura brasileira apresentou níveis baixos de violência política e institucional."Mas o que é isso? Que infâmia é essa de chamar os anos terríveis da repressão de "ditabranda'? Quando se trata de violação de direitos humanos, a medida é uma só: a dignidade de cada um e de todos, sem comparar "importâncias" e estatísticas. Pelo mesmo critério do editorial da Folha, poderíamos dizer que a escravidão no Brasil foi "doce" secomparada com a de outros países, porque aqui a casa-grande estabelecialaços íntimos com a senzala -que horror!"*MARIA VICTORIA DE MESQUITA BENEVIDES* , professora da Faculdade deEducação da USP (São Paulo, SP)"O leitor Sérgio Pinheiro Lopes tem carradas de razão. O autor do vergonhoso editorial de 17 de fevereiro, bem como o diretor que o aprovou, deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro, cuja dignidade foi descaradamente enxovalhada. Podemos brincar com tudo, menos com o respeito devido à pessoa humana."*FÁBIO KONDER COMPARATO* , professor universitário aposentado e advogado(São Paulo, SP)

*Nota da Redação* - A *Folha* respeita a opinião de leitores que discordam da qualificação aplicada em editorial ao regime militar brasileiro e publica algumas dessas manifestações acima. Quanto aos professores Comparato e Benevides, figuras públicas que até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como aquela ainda vigente em Cuba, sua "indignação" é obviamente cínica e mentirosa.

A delicadeza do Belo



Assistam"Vermelho como o céu". Sutil, delicado e muito sensível. Uma palavra define o filme: BELO! BELÍSSIMO!



domingo, 22 de fevereiro de 2009

Saúde em Cuba

Farmácia em Caimito - remédios custam aproximadamente centavos de reais...


Dignidade! É o que nós, brasileiros, pedimos!

"Juntar-se, esta é a palavra do mundo", José Martí

Ir a Cuba e ir ao médico é quase uma obrigação. Não que seja necessário ficar doente, mas foi exatamente o que ocorreu comigo e tive toda a assistência garantida. Remédios, consulta e, podem acreditar, pós-atendimento! Durante as duas semanas que estive fora da brigada pude conversar com muitos estudantes da ELAM (Escola Latino-americana de Medicina). E, nestes diálogos, descobri muita coisa interessante. Em Cuba, há um médico por quadra. Não há filas, espera ou qualquer negligência com o paciente.

Meu amigo Vitor, estudante brasileiro no 5º ano de medicina, contou-me que a medicina na Ilha divide-se em cinco pilares:

- Médico da família (atendimento primário);
- Policlínico (atendimento secundário);
- Hospital;
- Reabilitação;
- Processo de inclusão na sociedade.

Geralmente, um médico da família tem, no máximo, 150 pacientes. E esse valor não é diário, é o total! O atendimento ocorre das 8h30 até às 12h e das 13h às 16h. A partir deste atendimento, o médico encaminhará o paciente a um policlínico (um posto de saúde) onde será consultado por um especialista. O médico da família atende aos mesmos pacientes e tem acesso ao histórico de saúde deles. “Eu nunca vi fila no hospital. Nunca vi mais do que cinco pessoas esperando e, mesmo assim, são atendidas rapidamente”, afirmou Vitor.

É impressionante a qualidade do atendimento, a preocupação com o ser humano, são valores completamente diferentes daqueles que estamos acostumados a ver. Existe dignidade! Ao contrário do que, infelizmente, assistimos em nosso País: filas quase intermináveis, pessoas desmaiando pelos corredores por falta de assistência e horas para o atendimento. Isso é inadmissível em Cuba e é maravilhoso presenciar esse atendimento.

E as condições dos hospitais e policlínicos são as melhores: não falta leito, os aparelhos são de última tecnologia e os remédios e materiais são de ótima qualidade. Também questionei quanto à saúde da mulher. Há hospitais especializados em ginecologia e obstetrícia e a maioria dos partos são normais, porque, segundo Vitor, há prioridade para a saúde da mulher. A mãe recebe toda a explicação de como cuidar de um bebê e permanece internada por 48 horas. Eu tenho uma amiga que mora no Sul de Minas e quase perdeu seu bebê na rede pública porque não lhe orientaram sobre a amamentação do bebê. O índice de mortalidade infantil em Cuba é praticamente nulo. Quanto aos idosos, o governo oferece o serviço de trabalhadores sociais que os acompanham e os auxiliam no dia-a-dia.

O salário mínimo de um médico recém-formado é de US$ 25. E aqui no Brasil, temos médicos trabalhando no sistema privado ganhando mais de R$ 5mil, enquanto a rede pública explode de pacientes e negligência do Estado. Recomendo às pessoas o documentário de Michael Moore “SOS Saúde”. Confesso que me emocionei com as cenas de Havana. Dignidade! Este sim é um direito prioritário!