24/02/2010
Vomitava latências de um mundo não compreendido. Entre advérbios e gramáticas mal explicadas da vida, arranhava Villa-Lobos pelos corredores. Já quis engolir o mundo. Fazia assim: abria bem as pernas e enfiava tudo. Tudo mesmo. Certo dia, tal qual Zeus, pariu. Pariu pelas coxas. E percebeu que o mundo se esvaía e escorria pelos esgotos de um submundo inventado, que nada mais era do que sua própria alma. Carregava a pedra da culpa nos ombros e rolava pelas esquinas numa dança quase esquizofrênica. Seu corpo metamorfoseava o balanço de cabeças reticentes e as lamúrias onomatopéicas de seres sem vida. Cansava desse ciclo parideiro de (con)sequências ou não. Em sua boceta nada mais cabia, nem mesmo seus sonhos... e suas coxas, já flácidas, se confundiam em contornos de uma placenta forjada. Assim era o mundo... entre máscaras, placentas, úteros numa maternidade quase mal resolvida. Éramos parideiros de nós mesmos. Antropofágicos da vida. Comíamos o mundo pelas bocetas. E no palco meio iluminado, meio escuro, entre sombras e luzes, fez-se o primeiro olhar. A dor era inevitável. Num dado momento, não mais paria. Enjoava. Enjoava. Inchava. Inchava. Repetia. Repetia. Alucinava. Alucinava. E... e . finalmente, vomitava penúrias de uma realidade cotidiana e redundante no espelho. Osso e carne. Unha e dente. Enfim, a merda era posta. Sirvam-se todos. Um banquete de si(e).
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Que vá à merda todo esse moralismo familiar e viva o AMOR!
Sempre ouvi que amor de mãe é incondicional; mães são como leoas na defesa dos filhos e a relação é praticamente divina. Mas eu me pergunto: amor incondicional significa expulsar um filho de casa pelo simples motivo de ele assumir a homossexualidade? Balela essa tal incondicionalidade, essa divindade hipócrita. Nunca vou aceitar uma situação dessas calada e tenho frequentemente ouvido relatos de amigos próximos. Compreendo a dificuldade de aceitação e compreensão até em função da própria história de opressão e preconceito da sociedade, mas expulsar um filho da vida dessa forma, por quê??? Sexualidade não é algo que se escolhe, se é. Simplesmente isso e nada interfere no caráter de uma pessoa. Vamos, por favor, acabar com esses falsos moralismos e parar de fingir que o conceito de família é perfeito, até porque já está falido há muito tempo. Conheço muitos pais e mães que pulam a cerca por ai, molestam crianças, estupram, agridem e ai? Ao invés de julgarmos pela sexualidade alheia, que tal corrermos os olhos para os problemas velados dentro da própria casa ou na porta ao lado. Ser gay não significa doença física ou mental; não significa desvio de caráter; não significa traição familiar ou afins. Ser gay significa verdade; significa amor; significa identidade; significa, acima de tudo, CORAGEM! E é aqui que eu me solidarizo com todos os companheiros e companheiras LGTTB’s que sofreram e estão sofrendo com essa situação. Pensem que quem sairá no maior prejuízo serão esses pais, que vão envelhecer e, quiçá, morrer sem a presença das valorosas filhas e dos valorosos filhos. Que vá à merda todo esse moralismo familiar e viva o AMOR!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
A carta que você nunca lerá
17/02/2011
Te amei. Fiz escolhas. Boas ou ruins. Apenas o tempo dirá. Nunca tive a intenção de te magoar. Assumo meus erros e minhas falhas mais perversas. Não sou a mulher maravilha que você, um dia, idealizou. Nunca fui A mulher dos seus sonhos. Sou uma libertária incorrigível. Sou uma amante da vida. Sou uma amante dos outros. Sou uma amante do mundo. E, mesmo assim, me enrosco em minhas próprias contradições. Busco um mundo melhor. Busco paz entre todos os seres vivos. Busco o amor incondicional ao próximo. E, mesmo assim, magoo meus amigos, magoo minha família, magoo o mundo e magoo você. Não sou de ferro. Não sou a mulher ideal. Não sou quem você sempre sonhou. Sou e não sou. Sou uma mulher mais do que comum, fugindo desesperadamente do senso comum. Não sou mulher de esperar em casa, não sou mulher de me render aos hábitos, não sou mulher de assumir o fim de um relacionamento. Não sou mulher para não te fazer sofrer. E te confesso bem baixinho: todos nós fazemos o outro sofrer; não há como escapar, meu amor. Eu sofri por sua idealização por uma mulher que não existe. Você odiava isso em mim. Você repudiava minha liberdade extrema. Você odiava minha independência. Você odiava minha boemia e amargava em minhas ressacas morais e físicas. Então, o que você realmente amava em mim? Sou uma mulher desenhada em falhas, processos e perdições. Nada do que você sonhava. Eu não posso com amarras excessivas, com algemas da insegurança, com clichês do desrespeito e estávamos andando cegas na corda bamba da desconfiança. Até do seu terapeuta eu tive ciúmes. E você dos meus e-mails, uma internet tão tentadora, que não revelou nada além do esperado: o desrespeito nos matava. Éramos um casal atacado pelas diferenças, cada um tentando mudar o outro. E não é bem assim que as coisas funcionam. As identidades começaram a gritar e o meu Eu, tão sufocado, pediu pelo fim... doloroso fim. A rejeição trouxe agressões. Você disse que me odiava e que jamais me perdoaria por ter desistido dessa forma. Mas, meu amor, você já me odiava muito antes da separação e não reconhecia. Você odiava meus hábitos e não hábitos, você odiava minhas carências e não carências, você odiava meu espírito libertário ou não, você odiava meus discursos políticos ou não, você odiava minhas distrações ou não, você odiava minha poesia ou não. Você já me odiava... Nos violentamos na separação e agora, o que nos resta? Mágoas? A mim me resta o perdão. Perdoar a mim mesma por te fazer sofrer, por ser tão incapaz de continuar, por ser tão covarde nesse fim, por ser tão fraca em noites de boemia, por ser uma bêbada tresloucada de final de semana, por ser uma mulher politicamente correta repleta de contradições e falhas, por ser incoerente, por ser tão estúpida. Ainda te amo e, por isso mesmo, não posso mais. E, por exatamente isso, peço seu perdão e sei que você ainda vai me castigar por muito tempo, vai me culpar. Afinal, alguém precisa cumprir o papel de vilã nessa história, não? Que eu assuma esse papel, pois já me vitimizei demais nessa vida. Assumo sem qualquer pudor minha tirania. E peço do fundo do coração e com as minhas melhores energias, perdão... perdão... Hoje, minhas lágrimas se confundem com seu cheiro ainda impregnado em minha roupa de cama. Sempre me lembrarei de nossas risadas, nossas bebedeiras, nosso sexo, nossas extravagâncias, nossas viagens, nossos melhores momentos. Serão essas as lembranças que levarei para sempre comigo. Aquilo que ninguém, nem mesmo você com sua compreensível raiva, poderá arrancar. Tudo isso sempre estará em mim e envolto de ternura e carinho. Para o amanhã? Apenas o perdão... Que perdoemos a nós mesmos e depois um ao outro. Mesmo sabendo que você pode não ler essa carta, escrevo. Porque em meus escritos estão as minhas verdades, com as contradições expostas e as falhas assumidas. E é aqui que nossos sonhos em conjunto terminam...
Te amei. Fiz escolhas. Boas ou ruins. Apenas o tempo dirá. Nunca tive a intenção de te magoar. Assumo meus erros e minhas falhas mais perversas. Não sou a mulher maravilha que você, um dia, idealizou. Nunca fui A mulher dos seus sonhos. Sou uma libertária incorrigível. Sou uma amante da vida. Sou uma amante dos outros. Sou uma amante do mundo. E, mesmo assim, me enrosco em minhas próprias contradições. Busco um mundo melhor. Busco paz entre todos os seres vivos. Busco o amor incondicional ao próximo. E, mesmo assim, magoo meus amigos, magoo minha família, magoo o mundo e magoo você. Não sou de ferro. Não sou a mulher ideal. Não sou quem você sempre sonhou. Sou e não sou. Sou uma mulher mais do que comum, fugindo desesperadamente do senso comum. Não sou mulher de esperar em casa, não sou mulher de me render aos hábitos, não sou mulher de assumir o fim de um relacionamento. Não sou mulher para não te fazer sofrer. E te confesso bem baixinho: todos nós fazemos o outro sofrer; não há como escapar, meu amor. Eu sofri por sua idealização por uma mulher que não existe. Você odiava isso em mim. Você repudiava minha liberdade extrema. Você odiava minha independência. Você odiava minha boemia e amargava em minhas ressacas morais e físicas. Então, o que você realmente amava em mim? Sou uma mulher desenhada em falhas, processos e perdições. Nada do que você sonhava. Eu não posso com amarras excessivas, com algemas da insegurança, com clichês do desrespeito e estávamos andando cegas na corda bamba da desconfiança. Até do seu terapeuta eu tive ciúmes. E você dos meus e-mails, uma internet tão tentadora, que não revelou nada além do esperado: o desrespeito nos matava. Éramos um casal atacado pelas diferenças, cada um tentando mudar o outro. E não é bem assim que as coisas funcionam. As identidades começaram a gritar e o meu Eu, tão sufocado, pediu pelo fim... doloroso fim. A rejeição trouxe agressões. Você disse que me odiava e que jamais me perdoaria por ter desistido dessa forma. Mas, meu amor, você já me odiava muito antes da separação e não reconhecia. Você odiava meus hábitos e não hábitos, você odiava minhas carências e não carências, você odiava meu espírito libertário ou não, você odiava meus discursos políticos ou não, você odiava minhas distrações ou não, você odiava minha poesia ou não. Você já me odiava... Nos violentamos na separação e agora, o que nos resta? Mágoas? A mim me resta o perdão. Perdoar a mim mesma por te fazer sofrer, por ser tão incapaz de continuar, por ser tão covarde nesse fim, por ser tão fraca em noites de boemia, por ser uma bêbada tresloucada de final de semana, por ser uma mulher politicamente correta repleta de contradições e falhas, por ser incoerente, por ser tão estúpida. Ainda te amo e, por isso mesmo, não posso mais. E, por exatamente isso, peço seu perdão e sei que você ainda vai me castigar por muito tempo, vai me culpar. Afinal, alguém precisa cumprir o papel de vilã nessa história, não? Que eu assuma esse papel, pois já me vitimizei demais nessa vida. Assumo sem qualquer pudor minha tirania. E peço do fundo do coração e com as minhas melhores energias, perdão... perdão... Hoje, minhas lágrimas se confundem com seu cheiro ainda impregnado em minha roupa de cama. Sempre me lembrarei de nossas risadas, nossas bebedeiras, nosso sexo, nossas extravagâncias, nossas viagens, nossos melhores momentos. Serão essas as lembranças que levarei para sempre comigo. Aquilo que ninguém, nem mesmo você com sua compreensível raiva, poderá arrancar. Tudo isso sempre estará em mim e envolto de ternura e carinho. Para o amanhã? Apenas o perdão... Que perdoemos a nós mesmos e depois um ao outro. Mesmo sabendo que você pode não ler essa carta, escrevo. Porque em meus escritos estão as minhas verdades, com as contradições expostas e as falhas assumidas. E é aqui que nossos sonhos em conjunto terminam...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Anuncio minhas fraquezas e abro as cortinas de meus medos!

"Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher", Lya Luft.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Estudantes do pré-vestibular visitam Escola Nacional Florestan Fernandes

“Saímos às ruas para pedir contribuições e me lembro de um comerciante nos pedir para lavar a louça em troca de dinheiro. Ganhávamos moedinhas que variaram de R$0,10 a R$1,00, mas chegamos a ganhar doações de R$50”, contou Daiane de Araújo, 19 anos, aluna do primeiro ano do Curso Pré-Vestibular (CPV) do Conjunto de Favelas da Maré, durante a visita à Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), nesse sábado, dia 05. Cerca de 20 estudantes, três professores e ex-alunos do CPV participaram da excursão carioca à ENFF, entre representantes da comunidade Santa Marta, Casa da América Latina, Associação Cultural José Martí e estudantes.
A luta começou em outubro do ano passado, quando o professor de Geografia, “Cigano”, apresentou um filme sobre a ENFF durante a aula. A partir daí, os alunos começaram a se organizar e a articular a visita. Eles se dividiram em comissões, desde a produção de cartazes até arrecadação financeira de porta em porta. “Nós não tínhamos dinheiro, então resolvemos, além das contribuições, fazer uma festa, que chamamos de Uma noite no Museu, no dia 16 de outubro”, disse Daiane. A festa foi realizada no Museu da Maré e contou com a participação de aproximadamente 255 pessoas e arrecadação de pouco mais de R$1.740,00, valor ainda insuficiente para a viagem.
Foi ai que Daiane tirou férias e, ao invés de estudar, se dedicou integralmente à organização da visita. “A Daiane sempre acreditou que daria certo. Esta foi nossa primeira festa e sem experiência alguma. Eu me lembro de um dia ter ganhado uma nota de R$20,00, no meio de tantas moedinhas que ganhávamos”, afirmou Adriana Sousa dos Santos, 23 anos, aluna do 1º ano do CPV. Mesmo com a dificuldade financeira, o grupo não desistiu. “Fui a um seminário na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sobre a ENFF, incentivada pelo Cigano e conheci pessoas ligadas à escola e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Ao final do seminário, conversei com eles e as coisas começaram a caminhar”, lembrou. Depois desse encontro, exatamente três semanas antes da viagem, o professor recebeu um e-mail da ENFF falando sobre a excursão e se havia interesse dos alunos do CPV.
E foi nesse momento que o sonho destes alunos ficou ainda mais próximo da realização, porque todo o esforço valeu a pena. A articulação foi feita e, às 23h30, do dia 04 de fevereiro, estavam todos reunidos na Cinelândia à espera do ônibus. Seis horas um ônibus não significou cansaço ou reclamação e sim a conquista de uma bela vitória.
A manipulação não vai longe
Jovens a partir de 18 anos, todos ávidos por informação e com o brilho da esperança no olhar. Este foi o clima que permeou a visita à ENFF. Quando questionados sobre o motivo da visita, Daiane rapidamente respondeu contando que o curso pré-vestibular sempre transmitiu uma visão política dos trabalhadores e sobre a questão agrária. “Não sabíamos nada no começo, apenas que o MST era chamado de ‘baderneiro’, mas agora entendemos a luta e temos informação”, pontuou Daiane, vestindo uma camiseta estampada com a logomarca da TV Globo com os seguintes dizeres: “Sorria, você está sendo manipulado”.

“Precisamos sempre desconfiar das informações que passam na TV, não podemos assimilar sem raciocinar, é necessário questionar: será que não tem outro lado?”, alertou o professor de História do CPV, Humberto Salustriano da Silva, 32 anos.
Texto de Camila Marins e fotos de Amanda Coelho
About secrets - Para (To) minha grande amiga e mulher negra admirável!!!
10/02/2010
À primeira vista, quase não
compreendia tal imensidão
pensava como um mar
que se desfaz multicolorido em oceano.
Come to me and nothing more
your eyes, just mine
my soul, my little blue
Trançávamos as pernas
penetrando uma à outra
apenas com o olhar
e entre lençóis o ardor fervia em oceano
Don’t go my darling
I’m here and I really need to understand your eyes
I don’t know about this world
I just need to fly in your eyes
Meu coração arde e se desfaz em sal
lágrimas corroem minha alma
e a partida, tão necessária ou não,
perde o sentido.
You are with me
inside me
I know: you have secrets
but I don’t care, so, please, don’t go.
Ardo
estremeço
me faço verbo
e choro
e amo
para além de qualquer linha.
Please, don’t go, I’m here...
À primeira vista, quase não
compreendia tal imensidão
pensava como um mar
que se desfaz multicolorido em oceano.
Come to me and nothing more
your eyes, just mine
my soul, my little blue
Trançávamos as pernas
penetrando uma à outra
apenas com o olhar
e entre lençóis o ardor fervia em oceano
Don’t go my darling
I’m here and I really need to understand your eyes
I don’t know about this world
I just need to fly in your eyes
Meu coração arde e se desfaz em sal
lágrimas corroem minha alma
e a partida, tão necessária ou não,
perde o sentido.
You are with me
inside me
I know: you have secrets
but I don’t care, so, please, don’t go.
Ardo
estremeço
me faço verbo
e choro
e amo
para além de qualquer linha.
Please, don’t go, I’m here...
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
FINITO
06/02/2010
Subscrevia ilimitadas palavras além consciente. Independia de pronomes ou predicativos, os sujeitos lhe eram mais ou menos românticos ao seu gosto. Pensava. Pensava excessivamente, enquanto o medo lhe tomava e arraigava nós no estômago. Não tinha escolhas. A coragem apunhalava desejos de um eu escondido, sufocado pela miséria cotidiana. Subscrevia as liberdades humanas ou não. E quando, finalmente, decidira pelo fim, deu de cara com o verbete mais desejado entre lençóis. Ah, o arbítrio. Gozava com o pulsar do alvedrio. Guardava em sua cama pernas acesas, arquejadas e prontas para o ensaio final. Buscava a liberdade. Enfim, era e continuava a ser...
Subscrevia ilimitadas palavras além consciente. Independia de pronomes ou predicativos, os sujeitos lhe eram mais ou menos românticos ao seu gosto. Pensava. Pensava excessivamente, enquanto o medo lhe tomava e arraigava nós no estômago. Não tinha escolhas. A coragem apunhalava desejos de um eu escondido, sufocado pela miséria cotidiana. Subscrevia as liberdades humanas ou não. E quando, finalmente, decidira pelo fim, deu de cara com o verbete mais desejado entre lençóis. Ah, o arbítrio. Gozava com o pulsar do alvedrio. Guardava em sua cama pernas acesas, arquejadas e prontas para o ensaio final. Buscava a liberdade. Enfim, era e continuava a ser...
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Excessos
Excessos
01/02/2010
Cantava além mar
nunca soubera quem era
e cada gota de onda néctar
era como metonímia em vida
Alucinava em corpos transeuntes
como a de uma clássica música em bemol.
Incompreendia a constância por excitações
e colecionava amores em uma caixinha de bailarinas confusas.
Permitia-se brincar com a eterna contradição
e perdia-se em determinados advérbios passados
suava, transpirava
e, em sua mente, apenas corpo.
Corpo. Meio corpo, corpo inteiro
tinha sede de corpos
e seu copo sempre meio cheio
e vazio e meio
corte de corpos
nada era seu, nem o poema que excedia a quadrilha versada
01/02/2010
Cantava além mar
nunca soubera quem era
e cada gota de onda néctar
era como metonímia em vida
Alucinava em corpos transeuntes
como a de uma clássica música em bemol.
Incompreendia a constância por excitações
e colecionava amores em uma caixinha de bailarinas confusas.
Permitia-se brincar com a eterna contradição
e perdia-se em determinados advérbios passados
suava, transpirava
e, em sua mente, apenas corpo.
Corpo. Meio corpo, corpo inteiro
tinha sede de corpos
e seu copo sempre meio cheio
e vazio e meio
corte de corpos
nada era seu, nem o poema que excedia a quadrilha versada
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Respeito aos profissionais “sem veículo”
Livre exercício da profissão. Aprendemos isso na faculdade para garantir o direito de exercer nosso ofício. Nós, jornalistas, fomos protagonistas do processo de redemocratização do país nos tempos mais sombrios da ditadura militar. Fomos perseguidos, torturados, censurados e retaliados. Com o fim da ditadura e o passar dos anos diante da conjuntura política e social, a imprensa avançou e também recuou. Isso porque conquistamos a liberdade de expressão, o direito do livre exercício da profissão, mas também lidamos com o monopólio da mídia e o controle dos empresários.
Mas não tenho o objetivo de falar sobre estas questões nesse relato. Quero mostrar minha indignação a certas situações de desrespeito e desvalorização do trabalho alheio. Tenho o costume de participar de atividades e eventos de movimentos sociais e organizações, cobri-los e divulgá-los, com o objetivo de contribuir pela democratização da comunicação. Recentemente, fui cobrir um evento e quando fui me credenciar como freella, a jornalista foi enfática: “Mas não dá para credenciar sem veículo”. Quando fui explicar a história, já começou a burocracia e antes que eu começasse a discursar pelo livre exercício da profissão, ela me credenciou e pediu para eu esperar lá embaixo junto com o público, enquanto os jornalistas “de veículos” entravam e escolhiam lugares estrategicamente. Detalhe: eu estava com equipamento e precisava de tomada e, mesmo assim, não pude entrar.
Esta não foi a única situação, já passei por várias outras e sei bem que outros colegas de profissão passaram por isso. Eu compreendo a importância de audiência, da publicidade da informação, mas, todos nós, estamos exercendo nossas profissões, tanto os “jornalistas de veículos”, como nós, jornalistas “sem veículo” em prol de um ideal, de uma causa. Não quero aqui atacar um ou outro profissional, mas clamar por respeito. Merecemos direitos iguais e estamos todos juntos, nessa seara de exploração do trabalho. Afinal, quantos jornalistas ganham realmente o piso, têm a jornada de trabalho devidamente respeitada e todos os direitos garantidos? Pois é, estamos no mesmo barco. Somos trabalhadores iguais, “de veículos” ou não. Fica aqui a minha indignação pela falta de respeito a nós, profissionais “sem veículo” comprometidos com uma sociedade mais justa, solidária e igualitária. E digo: o meu veículo é a SOCIEDADE!
Mas não tenho o objetivo de falar sobre estas questões nesse relato. Quero mostrar minha indignação a certas situações de desrespeito e desvalorização do trabalho alheio. Tenho o costume de participar de atividades e eventos de movimentos sociais e organizações, cobri-los e divulgá-los, com o objetivo de contribuir pela democratização da comunicação. Recentemente, fui cobrir um evento e quando fui me credenciar como freella, a jornalista foi enfática: “Mas não dá para credenciar sem veículo”. Quando fui explicar a história, já começou a burocracia e antes que eu começasse a discursar pelo livre exercício da profissão, ela me credenciou e pediu para eu esperar lá embaixo junto com o público, enquanto os jornalistas “de veículos” entravam e escolhiam lugares estrategicamente. Detalhe: eu estava com equipamento e precisava de tomada e, mesmo assim, não pude entrar.
Esta não foi a única situação, já passei por várias outras e sei bem que outros colegas de profissão passaram por isso. Eu compreendo a importância de audiência, da publicidade da informação, mas, todos nós, estamos exercendo nossas profissões, tanto os “jornalistas de veículos”, como nós, jornalistas “sem veículo” em prol de um ideal, de uma causa. Não quero aqui atacar um ou outro profissional, mas clamar por respeito. Merecemos direitos iguais e estamos todos juntos, nessa seara de exploração do trabalho. Afinal, quantos jornalistas ganham realmente o piso, têm a jornada de trabalho devidamente respeitada e todos os direitos garantidos? Pois é, estamos no mesmo barco. Somos trabalhadores iguais, “de veículos” ou não. Fica aqui a minha indignação pela falta de respeito a nós, profissionais “sem veículo” comprometidos com uma sociedade mais justa, solidária e igualitária. E digo: o meu veículo é a SOCIEDADE!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
olhar de perdição ou salvação

20 de janeiro
Quase fui assaltada. Na loja Casa e Vídeo, localizada na Praia de Botafogo. Por volta das 22h30. Havia passado o dia em retiro budista, fui ao cinema e, em seguida, fui comprar uma antena para minha TV nova. Situações pelas quais milhares de pessoas no país estão excluídas. R$34,99 foi o valor da antena. Paguei com uma nota de R$100 e, no momento em que a caixa estava para me retornar o troco, fui abordada por um menino que mal batia no meu ombro. Ele me mostrava moedas em suas mãos e me pedia R$1 para comer. Cheguei a olhar para os lados em busca de alguma comida, mas os caixas dessas lojas só tinham balas e chocolates. Suas mãos tremiam, estavam sujas, percebi a sujeira por baixo de suas unhas, percebi seus dedos magros e delicados, percebi suas veias.
Ele usava um boné meio de lado, tinha os lábios ressecados, a pele negra, os olhos arregalados e o desespero estampado. Essa criança - inocente – escondia-se dentro de um corpo calejado tragado pelas drogas. Não sabia bem o que falava ou fazia e, ao notar os seguranças se aproximando, rapidamente veio para cima da minha carteira. E, quando eu ia tentar acalmá-lo, fui interceptada e, praticamente, inerte a qualquer ação, haja vista a reação das pessoas no entorno. Então, vi aquela mão no ombro do menino, questionando e o impedindo de vir para cima de mim. Tentaram me proteger, mas essa atitude dolorosa incitou ainda mais a violência natural que o abuso das drogas proporciona. Começamos a ser ameaçadas, pois estava com uma amiga. Os seguranças o levaram para fora e ainda me atentei para que não batessem nele. A criança explanava palavrões e prometia se vingar. Dizia: “Quer ver se você não vai me dar essa carteira? Vem aqui fora, que eu vou pegar de qualquer jeito e quero só ver”. Imediatamente, uma das caixas veio até mim e disse para esperar um pouco para sair, pois o garoto chamaria sua turma para nos assaltar ou fazer coisa pior.
E eu vi o olhar dessa criança: de desespero, um olhar vazio e profundo no total desconhecido. Claro que tive medo nesse momento. Não iria mais pegar o tradicional ônibus para a Lapa na praia. Teria que entrar em um táxi, mas como? O medo me tomou e os seguranças disseram: “Vai logo por aqui, entra em umas ruas e vai entrando pelo bairro que tudo vai ficar bem”. Nessa altura do campeonato, apressamos o passo até a esquina e pegamos o primeiro táxi.
O que quero questionar é: violência se paga com violência? Ok, posso acreditar demais no ser humano, mas acredito que uma simples conversa ou tentativa de acalmá-lo pudesse fazê-lo mudar de ideia. Afinal, quem em sã consciência entraria em uma loja e abordaria alguém na boca do caixa? Principalmente, quando seguranças estavam prontos a interceptá-lo? Estava fora de si. Uma criança perdida, destinada a “brincar” de esconde-esconde de si mesma e da própria sociedade. É claro que critiquei minha amiga por ter me defendido e interceptado a criança daquela maneira, pois eu não acredito nessa reprodução de comportamentos. Mas, também compreendo a atitude dela, pois vivemos numa sociedade regida pelo medo.
A mudança deve partir de nós mesmos, em primeiro lugar. Isso, é claro, se quisermos nos organizar numa sociedade mais justa, solidária e igual. Deixei minha amiga em casa e disse ao taxista: “Fica difícil ter esperança num mundo desses”. E ele, generosamente, acalentou minha alma: “Não. Eu tenho esperança sim. É só o que nos resta, porque, um dia, quero ter o orgulho de dizer para o meu neto que, sim, fiz parte dessa mudança. Fiz parte do processo de mudança para uma sociedade melhor”. Pronto, era isso que eu precisava ouvir para dormir melhor. Boa noite a todos.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Receita lasanha de atum com leite de coco e requeijão
Receita lasanha de atum com leite de coco e requeijão
A pedidos, disponibilizo a receita da lasanha de atum com leite de coco e requeijão na PANELA
É simples e fácil de fazer. Primeiro, jogue azeite na panela e frite 2/3 de uma cebola grande inteira até ficar transparente. Logo em seguida, jogue duas latinhas de atum e refogue bem. Depois de refogar no fogo médio, mexa bem e, então, acrescente o molho (que pode ser caseiro ou pronto, desde que de boa qualidade). Acrescente pouco menos de um copo de água e deixe ferver bem em fogo baixo. Depois de ferver, acrescente o 1/3 restante da cebola, cheiro verde e sal a gosto. É hora de acrescentar o leite de coco. Para aqueles que gostam, despeje mais da metade da garrafinha, mas não precisa ser tudo. Ou, se preferir, vá acrescentando aos poucos de acordo com sua preferência. Deixe ferver, mexendo sem parar e então deixe no fogo baixo, até terminar de montá-la. Mantenha o molho aquecido. Unte uma panela antiaderente alta com azeite, jogue a primeira camada de molho que deve ser farta para a massa boiar e não grudar no fundo da panela. Então, faça as camadas com molho, massa, molho, queijo mussarela, molho e massa. Vá fazendo esse esquema até a última camada. E, por fim, na última camada de massa, despeje todo o molho e coloque colheiradas de requeijão sobre ela, além de mais um fio de azeite. Tampe a panela e deixe em fogo baixo. Quinze minutos com o fogo ligado e mais 15 com o fogo desligado. Essa não é uma regra, dependerá do seu fogão. Vá conferindo para não queimar no fundo e FOGO BAIXOOOO. Essa é uma receita para ser feita em forno, mas como não tenho fogão, improvisei na panela e deu super certo. Uma das melhores lasanhas que já comi... Depois que fizer, me diga o que achou...
A pedidos, disponibilizo a receita da lasanha de atum com leite de coco e requeijão na PANELA
É simples e fácil de fazer. Primeiro, jogue azeite na panela e frite 2/3 de uma cebola grande inteira até ficar transparente. Logo em seguida, jogue duas latinhas de atum e refogue bem. Depois de refogar no fogo médio, mexa bem e, então, acrescente o molho (que pode ser caseiro ou pronto, desde que de boa qualidade). Acrescente pouco menos de um copo de água e deixe ferver bem em fogo baixo. Depois de ferver, acrescente o 1/3 restante da cebola, cheiro verde e sal a gosto. É hora de acrescentar o leite de coco. Para aqueles que gostam, despeje mais da metade da garrafinha, mas não precisa ser tudo. Ou, se preferir, vá acrescentando aos poucos de acordo com sua preferência. Deixe ferver, mexendo sem parar e então deixe no fogo baixo, até terminar de montá-la. Mantenha o molho aquecido. Unte uma panela antiaderente alta com azeite, jogue a primeira camada de molho que deve ser farta para a massa boiar e não grudar no fundo da panela. Então, faça as camadas com molho, massa, molho, queijo mussarela, molho e massa. Vá fazendo esse esquema até a última camada. E, por fim, na última camada de massa, despeje todo o molho e coloque colheiradas de requeijão sobre ela, além de mais um fio de azeite. Tampe a panela e deixe em fogo baixo. Quinze minutos com o fogo ligado e mais 15 com o fogo desligado. Essa não é uma regra, dependerá do seu fogão. Vá conferindo para não queimar no fundo e FOGO BAIXOOOO. Essa é uma receita para ser feita em forno, mas como não tenho fogão, improvisei na panela e deu super certo. Uma das melhores lasanhas que já comi... Depois que fizer, me diga o que achou...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
as costas do cotidiano

06/01/2010
Olhar o outro. As adversidades e os ponteiros acelerados do cotidiano quase nos impedem de tal façanha. Tão difícil dar atenção ao porteiro, ao vizinho, ao colega de trabalho, ao companheiro de luta, ao amigo e até ao affair. Cobranças, além das contas habituais de cama, mesa e banho. Eternas cobranças e os porquês não arredondados pelo reconhecimento do outro. “Você fez isso? Aquilo? Ligou para fulano? Militou? Escreveu? Trepou? Gozou?”. Porra, esses pretéritos nada perfeitos não combinam com esse interrogatório de torturas. Que tal assim: “Como você está? Está realmente bem? É feliz? O que acha do mundo? O que acha de si?”. Não suporto quem cobra sem olhar para as necessidades alheias. Nós, seres humanos, nascemos para cuidar e ser cuidados. Somos assim, carentes em espécie e abandonados pela complexidade do cotidiano. Sim, sou amiga da mendiga da esquina e me acusam de um dia levá-la para casa (diga-se de passagem apertamento, uma quitinete que mal me cabe). Qual o problema de ser solidário? De falar bom dia? De chamar o porteiro pelo nome e perguntar como ele está sem qualquer cobrança condômina? Confio nas pessoas. Acredito no ser humano e o dia que eu perder as esperanças, tenham a certeza de que meu corpo errante se fará em cinzas desse crematório que chamamos mundo.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
só por hoje
30/12/2010 Ser. Essa errante tentativa de ser. 2010 se foi e, em mim, algo se foi. Muito se foi. Indagação, divagação, tergiversação. E essa ação comum entre reflexão, vácuo e ser se dissipa em obstáculos do cotidiano. Sou errante! Errante nesse caminho tresloucado de ser, coberto de atos, entrelinhas e cenários. Ah! Quanto mudou em meus cenários. Essa mudança ainda percorre cada veia, cada artéria pulsante de meu corpo frágil e dependente. Talvez essa incessante busca pela autonomia plena, de corpo e alma, destrua cada pedaço do ser. Não! Não existe autonomia! Somos todos errantes, filhos de Caim, acorrentados a algum tipo de ação, questionamento ou pensamento. Somos o pleno movimento e a dança de nossos corpos passa transversal a qualquer sentido existencial. Tentei a cama com Freud e Nietzsche, flertei com Clarice e Simone de Beauvoir, e agora tento não falar mal da rotina com a intimidade de Elisa Lucinda. Essas bagagens intelectuais abrem horizontes, mas é preciso ação! Tento sorrir, mas o cotidiano praticamente me impede. Tento não alimentar mágoas, mas o passado me atormenta. Tento ser feliz, mas os remédios não funcionam. Tento não ser triste, mas a arruda deixou de ser forte. Tento ser e não ser. Então, decidi: não sou nada e nem ninguém. Uma simples errante traçando caminhos de uma aquarela em preto e branco. Cambaleando pelas esquinas claustrofóbicas de noites solitárias. Me embriago com as dúvidas, com o talvez e com o quiçá. Sou e não sou, mas para 2011 seguirei a receita: só por hoje!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Memórias póstumas de um final de ano
Avançamos. Definitivamente, avançamos. Embora distantes de uma reforma agrária, inúmeros projetos de agricultura familiar, bem como políticas direcionadas para o campo foram implementadas. Fez-se a luz no campo, programas de educação foram regulamentados, a lei de assistência técnica gratuita foi efetivada. Mas ainda há dificuldades para crédito pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de falta de acesso à saúde, a transporte público e afins. Direitos básicos não reconhecidos. Trabalhadores rurais ainda sofrem. São criminalizados pela mídia. São discriminados. No entanto, pergunto: estas famílias vão para debaixo de lona preta porque querem? A lona preta no calor é quase um teto de zinco em chamas e na época de chuvas e inverno, não protege. A isso chamo: resistência.
Avançamos. Definitivamente, avançamos. Elegemos a primeira mulher presidenta do país, diante de um cenário conservador imposto pela mídia. Aborto, distorção da luta contra a ditadura militar e até orientação sexual entraram no debate “político” (que de político não teve nada). Assistimos ao rebaixamento claro da direita, sem agenda política e agindo com a conivência dos donos dos grandes veículos de comunicação. Eu, que não sou PT, fui às ruas, fiz campanha pela eleição de Dilma. Afinal, não poderia ver meu país (S)cerrado por mais privatizações.
Avançamos. Definitivamente, avançamos. O governo Lula tomou a postura corajosa de apoiar Manuel Zelaya, presidente de Honduras, durante o golpe de Estado. Estreitamos relações com nossos irmãos latinoamericanos. No entanto, acompanhamos um retrocesso histórico: o envio de tropas militares brasileiras ao Haiti. Vergonhoso!
Avançamos. Definitivamente, avançamos. Foi criado o Conselho Nacional de Combate à Discriminação, denominado Conselho Nacional LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Mas ainda não aprovamos o projeto de lei 122/06, que propõe a criminalização da homofobia. Assistimos cotidianamente atos de violência à população LGTTB (prefiro usar a sigla completa), ainda ouvimos comentários preconceituosos – muitos sob pretexto religioso – olhares discriminatórios e as travestis e transexuais sem qualquer direito à cidadania. Dignidade já!
Avançamos. Definitivamente, avançamos. Realizamos a I Conferência Nacional de Comunicação. Contudo, poucas famílias ainda detêm o monopólio dos meios de comunicação, não há controle social e o movimento de rádios comunitárias é cada vez mais massacrado e criminalizado.
Avançamos. Definitivamente, avançamos. Esta é uma breve análise. Não é meu papel alardear apenas os problemas, e muito menos destacar apenas os aspectos positivos. Crítica e auto-crítica são fundamentais na construção de um projeto de uma nação com soberania, justiça e solidariedade. Se avançaremos mais? Não sei, mas aqui também ficam as minhas críticas, algumas memórias e deixo que a História nos diga, nos absolva ou nos culpe...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
A Lapa é assim
A Lapa é assim. Algo inexplicável, talvez sensorial. Saias apregoam contra a gravidade. Moicanos contrastam com penteados crentes. Pernas doídas convalescem nas esquinas. Fomes são esquecidas. Ao lado do forró, dance até o chão com o batidão do funk, ou então siga pela Mem de Sá num bloco improvisado de carnaval. A Lapa é assim. Palmeiras de acolá com ervas de outras escadarias. Reggae além da medida no churrasquinho da esquina. A Lapa é assim. Gelada como o chopp do botequim. Solitária como a feira dos arcos. Sufocante como a fila dos shows. Destilada como a batida de quinta da barraca da tia Neide, que nem sei se existe. A Lapa é assim. Sincretismo fervoroso, São Jorge sobre nós e lama sob nós. Somos o bueiro mais diversificado e mais cobiçado deste Rio de Janeiro. A cada esquina uma nova roda, um novo ritmo, um novo cheiro de cigarro, uma nova cerveja e até uma nova cantada. A Lapa é assim. O buraco arqueado mais excitante de todas as contradições existentes. A Lapa é assim.
11 de dezembro
- Bumbum de passista de samba é feito de laquê;
- Cerveja é bom e todo mundo gosta;
- Gringo inventa uma dança que ninguém entende;
- A Lapa é clandestina...
11 de dezembro
- Bumbum de passista de samba é feito de laquê;
- Cerveja é bom e todo mundo gosta;
- Gringo inventa uma dança que ninguém entende;
- A Lapa é clandestina...
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