terça-feira, 14 de dezembro de 2010

A Lapa é assim

A Lapa é assim. Algo inexplicável, talvez sensorial. Saias apregoam contra a gravidade. Moicanos contrastam com penteados crentes. Pernas doídas convalescem nas esquinas. Fomes são esquecidas. Ao lado do forró, dance até o chão com o batidão do funk, ou então siga pela Mem de Sá num bloco improvisado de carnaval. A Lapa é assim. Palmeiras de acolá com ervas de outras escadarias. Reggae além da medida no churrasquinho da esquina. A Lapa é assim. Gelada como o chopp do botequim. Solitária como a feira dos arcos. Sufocante como a fila dos shows. Destilada como a batida de quinta da barraca da tia Neide, que nem sei se existe. A Lapa é assim. Sincretismo fervoroso, São Jorge sobre nós e lama sob nós. Somos o bueiro mais diversificado e mais cobiçado deste Rio de Janeiro. A cada esquina uma nova roda, um novo ritmo, um novo cheiro de cigarro, uma nova cerveja e até uma nova cantada. A Lapa é assim. O buraco arqueado mais excitante de todas as contradições existentes. A Lapa é assim.


11 de dezembro
- Bumbum de passista de samba é feito de laquê;
- Cerveja é bom e todo mundo gosta;
- Gringo inventa uma dança que ninguém entende;
- A Lapa é clandestina...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Testamento Cotidiano

Confiram meu novo projeto em http://testamentocotidiano.blogspot.com

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mulheres de anis em Caim

04/11/2010

Mulheres de anis
como confundem
olhos em perdição
entre paraíso e redenção

tudo isso não me apetece
mulheres de anis
carvalhos nus
aos seus pés

à espera de Lilith
esfomeada
pronta para engolir

aquele Caim
não lhe era de direito
nem corpo
nem marca
nem falo

talvez fala
mas, enfim, ante-quarto
antiquado

anti cristo



terça-feira, 21 de setembro de 2010

O latifúndio da invisibilidade

O latifúndio da invisibilidade

21/09/2010

Após 6 horas de trabalho, levantar cedo, almoçar rapidinho para economizar no horário, finalmente, chego ao metrô. Meu destino: Ipanema – zona sul do Rio de Janeiro. Quase 6 da tarde, no contra fluxo da maioria dos trabalhadores que se dirigem à zona norte. Metrô lotado, mas não mais do que aquele que se movia até a Pavuna. Quase chorei só de olhar as pessoas se esmagando, senhoras carregando bolsas para o alto e travando uma verdadeira batalha.

Meu vagão era aquele exclusivo para mulheres que, diga-se de passagem, ficou só no papel, pois não há qualquer fiscalização. Também lotado, mas o pior estaria por vir. São 10 estações da Cinelândia até Ipanema. Um trajeto que levo aproximadamente 20 ou 30 minutos para cumprir, demorou mais de 1 hora! Em cada estação, o vagão ia se tornando menor. Isso porque não parava de entrar gente. Os trilhos pareciam engatar a marcha ré com tanta lentidão, talvez por falta de energização. Não sei exatamente. Apenas ouvia: “Estamos aguardando liberação do tráfego à frente”.

Enquanto aguardávamos a tal liberação, o ar condicionado parecia ter sido desligado e, nós, trabalhadores, ficamos ali, presos, sem ar e compartilhando os mais diferentes odores. Olhava para os lados e apenas as pedras do caminho do metrô. Quase chorei. Já peguei metrôs muito mais lotados do que este, mas, hoje, especialmente, estava sensível. Olhava para o outro lado quando as pedras assim o deixavam, via situação ainda pior no carro em direção à Pavuna. Só conseguia pensar: este é a parte que nos cabe neste latifúndio. Aliás, pensar não, questionar: este é a parte que nos cabe? Não, não nos cabe!

Nunca quis comprar um carro, porque acredito na coletividade do transporte. Não da forma como está colocado, pois não temos acesso a um transporte público de qualidade. Muitos querem evitar ônibus e metrôs lotados e compram veículos próprios. Além de gasto com seguro, gasolina, estacionamento, a emissão de gás carbônico é enorme. Mesmo com carro, não fugimos do trânsito. Então, que tal dar uma de Angélica e Luciano Huck e pegar o jatinho? Também não! Ou talvez uma projeção de nossos corpos? Nada disso vai adiantar, enquanto alimentarmos o individualismo e as políticas de Estado continuarem aquém. Não sou contra a compra de carros e afins para locomoção, mas sou contra a situação da forma como está hoje. Por que as pessoas que não têm carro ou jatinhos, precisam ser humilhadas no transporte público desta forma?

Quando saí do metrô, respirei e olhei para trás. Nós, centenas de trabalhadores, na luta cotidiana pela sobrevivência disputando um espaço para subir a escada rolante e, enfim, respirar. Comecei a tremer e não entendi muito bem o motivo. Mas, mais tarde, já em casa, compreendi: senti a dor mais pesada. A dor nos ombros. A dor da invisibilidade. Todos nós, ali, sufocados, presos, reféns e completamente invisíveis.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

mil faces da dor - parte I

Mil faces da dor - parte I

31/08/2010


minhas mãos doem
pulso, tendão, dedos
esse tal sentir dói
sinto a dor multifacetada do fazer
pulsando em meu corpo
sinto a dor dilacerada do dever
tendendo à prisão
tendo à tensão
tendo à dor
e como dói
quase sem movimentos
me questiono:
o que será de um corpo sem dor?

sábado, 26 de junho de 2010

para distrair e abstrair

Três dicas de filmes que assisti recentemente

- Tudo pode dar certo, Woody Allen - maravilhosamente e cartesianamente lindo! Sensibilidade à flor da pele preta...

- O Segredo dos teus olhos, Juan José Campanella - história digna para contos de meio da madrugada! muito bom o roteiro!

- Bonequinha de luxo, Blake Edward - adoro este tipo de filme, a interpretação e as expressões faciais bem demarcadas e quase exageradas me fazem sorrir... adorei!

terça-feira, 15 de junho de 2010

Reflexão sobre o dia dos namorados



Reflexão sobre o dia dos namorados

15/06/2010

12 de junho e o amor está no ar. É dia dos namorados e os casais planejam programas românticos: jantares, viagens, motéis. E, da mesma forma, casais gays celebram o dia, mas a história muda um pouco de rumo. Algumas histórias.

I
Duas meninas entram em um restaurante na Avenida Atlântica e pedem:

- “Mesa para duas, por favor”.

E o maitrê, desconfiado, lhes indica a mesa no fundo do bar e sequer as olha diretamente e mal são atendidas. Olhares por todos os lados e mal podem segurar na mão uma da outra.

II
- “Amor, vamos para a serra curtir o friozinho do dias dos namorados?”

Roberto reserva um quarto de casal para passar um final de semana romântico com Paulo. Quando chegam ao hotel fazenda, duas camas de solteiro. Roberto telefona para a recepção e diz que enfatizou que era um quarto para casal e a recepcionista lhe diz:

- “Não entendi, a reserva não era para dois homens?”

Paulo e Roberto juntam as camas e embalam no frio da serra.

III
Véspera de dia dos namorados: lojas lotadas, cartões com dizeres e imagens heteros; constrangimento na compra.

IV
Andam de mãos dadas. Se amam. Os olhos brilham de paixão e admiração pelo outro. Não podem se beijar no táxi. Não podem se abraçar na rua. Não podem enlaçar os dedos sobre a mesa de algum restaurante. Não podem dar flores em público para sua namorada ou para o seu namorado. Não podem dividir o mesmo talher na hora da sobremesa. E quem disse que não pode? Eles podem dizer não, mas devemos exigir RESPEITO! O amor é o mesmo, não importa a orientação sexual e a opressão dói e corrói. Foi-se o tempo da clausura em guetos gays e igualdade é fundamental para a construção de uma sociedade realmente solidária e fraterna. Liberdade e respeito sempre!



terça-feira, 8 de junho de 2010

espelho Metade de mim




espelho Metade de mim


Parafraseava Cazuza no canibalismo noturno

08/06/2010


Sabia que o mundo a comeria. Por isso, resolveu comê-lo antes. Não compreendia as certezas da vida e vivia nas incertezas. Preferia o momento, o carpe diem ao invés de compromissos rasteiros e adiantados. Gozava com a dúvida e, assim como seu último suspiro de prazer, morria aos poucos. Uma eterna contradição. Incompreensível em sua mais pura sinceridade e injustificável rebeldia. Assim era sua arte. Nada prometida, nada casta e inteiramente maculada. Procurava a metade do mito de Platão e se perdia em lamentações de Prometeu. Estava acostumada com a solidão, breve poeira do criado mudo. Silêncio. Seu maior temor era o sussurro. Não suportava o intermediário. Para ela, era ser ou não ser. E era... pelo menos, costumava ser. Entre poesias e drinks baratos, a lua em tom depressivo lhe acompanhava. Era triste. Sem motivo, mas era triste. Gostava de sorrisos e fingia os próprios. Quase um Chaplin na corda bamba, entre sorrir para a plateia, chorar pela própria alma e temer a queda. Ai que dó. Ai de mim.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Direito à memória e à verdade: hora de abrir as páginas desta História




DIREITO À MEMÓRIA E À VERDADE: HORA DE ABRIR AS PÁGINAS DESTA HISTÓRIA





“Num tempo, página infeliz da nossa história, passagem desbotada na memória das nossas novas gerações, dormia a nossa pátria mãe tão distraída, sem perceber que era subtraída”, diz a letra da música Vai Passar, de autoria de Chico Buarque e Francis Hime. Assim, milhares de pessoas foram “subtraídas” do convívio durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985). Centenas foram os mortos e desaparecidos políticos. Milhares, os torturados, sequestrados e presos. Este período foi o mais sombrio da história deste País e, no último dia 29 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) perdeu a chance de reescrever esta página infeliz.



Isso porque manteve a interpretação de que a Lei de Anistia Brasileira (Lei nº6683/79) abrange os agentes de Estado que foram autores de crimes contra a humanidade. Com o objetivo de questionar a concessão da anistia de forma universal, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 153) para que a Lei fosse revisada. No entanto, por sete votos a dois, o STF rejeitou a proposta. “Questionamos a leitura hegemônica que fazem da Lei de Anistia. Houve a interpretação equivocada de que crimes conexos foram cometidos pela figura do Estado. Os crimes estão escondidos e não são públicos. Não é possível anistiar alguém que sequer foi processado”, avaliou Cecília Coimbra, presidente do grupo Tortura Nunca Mais.


“Esta decisão foi uma grande decepção e contraria todos os princípios humanitários. Uma verdadeira vergonha para o País”, declarou Laura Petit da Silva, 63 anos, diretora de escola municipal, aposentada e integrante da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. “Os crimes cometidos foram de lesa-humanidade; não foram crimes políticos, foram crimes comuns”, enfatizou Vitória Grabois, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais e ex-guerrilheira no Araguaia.


Além de contribuírem em organizações em prol dos direitos humanos, o que essas mulheres têm em comum? Ambas perderam familiares durante a ditadura militar. “Em 1973, tenho pai, irmão e primeiro marido desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia. Vivi na clandestinidade de 1964 a 1980. Desde que voltei ao convívio social, luto pelo esclarecimento dos fatos”, afirmou Vitória. “Eu tenho três irmãos desaparecidos – Lúcio, Jaime e Maria Lúcia – também no Araguaia”, disse Laura. O corpo de Maria Lúcia foi um dos únicos identificados. Em 1991, foram encontradas duas ossadas que foram encaminhadas para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). No entanto, o processo de identificação foi bastante moroso e, somente em 1996, quando um militar entregou fotos e anotações do momento histórico que, finalmente, foram iniciadas as investigações. “No material entregue pelo militar, havia uma foto da minha irmã morta tal qual a ossada encontrada. 24 anos após a morte de minha irmã, houve a exumação do corpo e a confirmação de que se tratava de Maria Lúcia”, contou Laura.


Comissão da verdade

A luta destas mulheres é a extensão da luta de milhares de familiares que buscam informações sobre parentes e amigos desaparecidos na ditadura militar. “Queremos esclarecimento sobre os fatos. O que aconteceu? Por quê? Como? Por quem? Onde?”, questionou Vitória. “Nenhum de nós quer um banco de réus, queremos que o Estado brasileiro assuma sua responsabilidade e que abram os arquivos”, pontuou Cecília Coimbra.


No final do ano passado, o governo brasileiro propôs a criação da Comissão Nacional da Verdade, parte integrante no 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH). No entanto, de acordo com Cecília, a comissão não passa de um programa de boas intenções. “O que nós, movimentos sociais, propusemos em dezembro de 2008 – durante a Conferência Nacional de Direitos Humanos – era a criação de uma comissão para investigar crimes de repressão política, e não de conflito político, como está colocado agora. É preciso compreender que não houve guerra nesse País, houve extermínio”, ratificou.


Uma página que se abre – Brasil pode ser condenado por crimes de lesa-humanidade na Corte Interamericana

Diante da falta de responsabilidade do Estado brasileiro perante as atrocidades cometidas na ditadura militar, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil), o grupo Tortura Nunca Mais e a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo recorreram à justiça interamericana por violação de direitos humanos, ajuizando ação na Comissão de Direitos Humanos da Corte Interamericana, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA). Esta é uma ação que se estende desde 1995, quando familiares pediram respostas e o governo brasileiro não as forneceu, fato que os fizeram.


Em 2008, o caso referente à Guerrilha do Araguaia foi enviado à Corte. “O Brasil é signatário de inúmeros decretos entre a OEA e a Organização das Nações Unidas (ONU) que condenam crimes de lesa-humanidade. Vale lembrar que as leis internacionais estão acima das nacionais. Esperamos que o Estado brasileiro seja responsabilizado”, afirmou Cecília.


A audiência do processo será entre os dias 20 e 21 de maio, na Costa Rica. De acordo com informações da presidente do grupo Tortura Nunca Mais, a sentença pode demorar de três a sete meses.


O massacre no Araguaia

Quase 80 guerrilheiros contra centenas de oficiais das Forças Armadas. Esta foi situação da Guerrilha do Araguaia. Entre 1972 e 1974, 69 guerrilheiros partiram para as margens do rio Araguaia, localizado no sul do Pará. A maioria destes homens e destas mulheres tinha formação em engenharia e medicina, seguindo a linha estratégica de Che Guevara. Os guerrilheiros prestavam atendimento social à população concomitante a um trabalho de formação política e conscientização, à medida que conquistavam territórios e confiança.


Alguns camponeses aderiram ao movimento. No entanto, com a chegada desproporcional das Forças Armadas, o massacre foi inevitável. O governo da época enviou homens do Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal e Polícia Militar do Pará, Goiás e Maranhão para combatê-los, com registros de total desproporcionalidade e covardia.


Pacto socialDiante de tantas mortes, desaparecidos políticos, torturas e massacres, o que leva o Estado brasileiro a ignorar tais fatos e ser o único país da América Latina a não abrir os arquivos da ditadura militar? Maquiavel talvez possa responder, quan­do fala em nome de uma segurança de Estado, conceito hoje definido como Razão de Estado, ou seja, a atuação dos governantes seguirá de acordo com a necessidade de segurança destes. “Nunca tivemos muitas ilusões no STF, já que a correlação de forças não é favorável. O que me parece é que desde 1985 foi feito um acordo que respaldou a ditadura militar”, provocou Cecília. A conjuntura política e o processo histórico que se estende em relação a esses fatos podem vir a resultar numa espécie de acordo entre militares e Estado, independentemente de governo.


Entre espinhos, a esperança floresce

Embora sejam atacados de revanchismo pelos setores conservadores da sociedade brasileira, movimentos sociais e organizações caminham bravamente em busca de justiça e verdade. Inclusive, as poucas informações conseguidas ao longo de todos esses anos se deve, única e exclusivamente, à mobilização das famílias que realizaram caravanas e investigações por conta própria. “Não queremos revanche; queremos justiça", con­cluiu Vitória Grabois.





Camila Marins para o jornal da Fisenge









quinta-feira, 13 de maio de 2010

Quase duas da manhã deste 13 de maio falacioso




Quase duas da manhã deste 13 de maio falacioso
13/05/2010

Perco-me de mim mesma
confesso diante deste altar
sedento de hipocrisia:
anos se passaram

e houvera a época que escrevia sobre ânus
brincava na cama entre Kafka e Sartre
Ah! Como Simone me espiava

de repente, não mais do que pânico
me afundo em redundâncias da existência
cálida queda cama
casa come quero

admito! Os verbos me causam orgasmos
daqueles múltiplos
não mais do que língua afiada

e o vento não existe, nada é
diante de minh’alma orquestrada
cacofonias de um dialeto mal dito
maldito!

e quanto ao hoje?
redoma que engole
enrolo-me em lençóis
nua de falácias ancestrais

sou um anjo mascarado
de sedutor: Lilith (dê) me acompanha em arquétipos
divido entre gêneros
o divã – testemunha de uma alma rodriguiana

meu canto vai além
atinge sustenidos famélicos
e meus poetas pedem mais
mais
mais – sussurram ao pé de minha orelha quente

brinda comigo
quem se atreve?
deixo minhas bodas de prata
e mendigo pelas próximas

nexo? coMneXo
e o plural retorna aos meus escritos
sempre na dúvida, temerosa
de alcançar
a plenitude fantasiosa

that’s me or not...

meus joelhos denunciam a forma do meu pecado
em flor




segunda-feira, 10 de maio de 2010

Todo REPÚDIO à revista Veja. Viva a luta do movimento LGTTB!


10/05/2010

A revista Veja publicou nessa semana a seguinte matéria: "Ser jovem e gay. A vida sem dramas." A reportagem – por meio de depoimentos de jovens de classe média e classe média alta – aponta que os jovens gays têm assumido a homossexualidade sem qualquer razão para temer ou esconder. A revista ainda mostra que ser militante da causa é quase ultrapassado e que a luta é desnecessária. O que a matéria não registra ficou na marginalidade da informação: homofobia existe.

O estranho é que não há um negro ou uma negra na matéria. Ou então jovens pobres. E as travestis? Por que elas não conseguem emprego? Imaginem só uma mulher afirmar que é negra e lésbica. Demais para os leitores de Veja? De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), o Brasil é o campeão mundial de crimes contra lésbicas, gays, travestis, transexuais e bissexuais (LGTTB’s): um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e os Estados Unidos com 25.

Não precisamos apenas de dados para constatar a homofobia. Quantas piadas, xingamentos e brincadeirinhas estão carregadas de preconceito? Basta ligar a televisão que podemos assistir um general das Forças Armadas (mesmo exemplo dado pela revista) afirmando sua posição contrária à presença de gays na instituição. Pior ainda, que País é este que respalda Marcelo Dourado como campeão do Big Brother Brasil e queridinho da população brasileira? Isso porque Dourado, além de comentários e atitudes machistas e homofóbicas, afirmou que heterossexuais não pegam Aids. Fato que fez com que a Globo utilizasse o mesmo espaço para esclarecimentos do Ministério da Saúde.

Se tudo está mais tranquilo, livre de preconceito e agressões, por que o Brasil não aprova a Lei 122/06 que criminaliza a homofobia? Esse preconceito velado é uma das piores tendências e a revista Veja, inegavelmente nojenta, tenta convencer a população que militar no movimento LGTTB é ultrapassado, ‘over’. Ninguém esconde orientação sexual embaixo de bandeiras. Ao contrário, militamos por uma sociedade justa e livre de preconceitos. Desqualificar a luta do movimento LGTTB é, no mínimo, ignorância. Foi por meio da luta do movimento que a homossexualidade deixou de ser considerada doença e perversão e, até hoje, é referência histórica na luta contra a homofobia.

Se não há preconceito, por que pessoas do mesmo sexo não andam sequer de mãos dadas em público? Por que travestis sofrem violência física e moral todos os dias? Por que as travestis não conseguem emprego ou o simples direito de mudar de nome? Por que as mulheres lésbicas sofrem com a falta de um atendimento específico nos hospitais e postos de saúde – elas mal são tocadas, principalmente as negras, além de sofrerem com péssima orientação médica? Por que homens gays são massacrados em instituições, seja exército ou universidade? Por que casais gays não podem se casar ou adotar filhos? Eu mesma, só conheci uma travesti com um emprego que não fosse profissional do sexo. Ela era operadora de telemarketing... Mais uma vez, escondida.

A luta contra a homofobia não deve parar e cada um de nós deve lutar por um mundo melhor livre de opressões. Todo REPÚDIO à revista Veja. Viva a luta do movimento LGTTB!

domingo, 9 de maio de 2010

flores a beijar



flores a beijar
09/05/2010


Acordara embebida em mel
no meio
no meio, um beija-flor
bate bate bate

bate asas e voa

a flor do teu segredo
deflorada
doce
suculenta, prestes a
a
voar

voa beija-flor
estende tua língua
e amortece o corpo em movimento

invade a cova
aquela que te envolve
quente
consente e padece

toma minha mão e dança
além de desafinados passos
Este é o meu mel

tomai e bebei

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Cinzeiros libidinosos

Cinzeiros libidinosos

29/04/2010

Ah! Eu era virgem!
molho os lábios em cigarros de menta
Argh! quase me enjoam
aqueles lábios úmidos
tragavam a fumaça irônica
que bulinava entre meus dedos

de repente, não sou mais virgem
e aquele filtro vermelho
contrastava com tuas veias
nada libidinosas

Ah! Ah!Ah!
Cazuza me umedecia emudecida
Úmida! Muda!

Ah! Não sou mais virgem!
e os cinzeiros lotam de orgasmos
tragadas múltiplas
entre o ser e o não ser
Cansei!
Sou artista!
Nada mais exagerado...
To be or not to be?
Just an artist

terça-feira, 6 de abril de 2010

The End - The Doors



The End - Ao som de "The Doors"

05/04/2010

Tempo derruba paixões e passa a perna em Platão. Quem estava certo ou errado? Isso não importa, apenas o tempo que transforma. Tomo uns drinques e me inspiro em pileques homéricos. Ah, quantas figuras gregas que tentam iludir a... a... a... soluço... a...a... vida. Ow, do you speak English? Ow, I’m tired of this!!!! E a memória se incumbe do irreal apagar. Encho a cara e choro silenciosa com as gotas do redundante chuveiro úmido, alagando meu corpo em lágrimas. Esta foi a última vez. Última vez por você. Porque sofrer de amor e de saudade é bom. Ah! Muito bom! Quase gozo! E assumo para mim mesma o inadmissível: nosso fim. Enfim... livre! Respiro, me inspiro e nosso tempo expirou. De tudo isso, me restou a inspiração: eu... eu mesma... Just me...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Canção para espelho

01/03/2010

Vertiginosa. Praticamente maliciosa! Sua mente não mentia, mas seus dedos traíam a inspiração. Talvez não fosse mais a mesma ou fosse. Ainda sonhava com aquela que seria quando crescesse. E já tinha quase 30 anos... olhava sua face no espelho e detonava o peso da maturidade. Ainda queria sonhar com aquela que seria quando crescesse. Chega de Clarices, Cecílias ou simplesmente amor. Seu coração infantil sorria gargalhadas pleonásticas de uma infância roubada. Só queria poder andar descalço pela rua, subir em uma árvore e até soltar uma pipa. Isso não tinha lembrança, apenas de suas dores. Ah! Como sonhava com aquela que seria aos 30 anos... e cá estou eu saindo da terceira pessoa para a primeira. Presente!